The Newsroom – 01×09 – The Blackout, Part 2: Mock Debate

   

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Desculpa, mundo, mas The Newsroom se superou na baboseira nessa semana. Em seus 56 minutos intermináveis, a série conseguiu a proeza de não ter nem meia cena interessante, mergulhando num poço sem fim.

Desde a estreia, tenho tentado gostar do andamento da história, dando mais atenção para o lado jornalístico, que invariavelmente me interessa. Contudo, na medida em que isso é deixado de lado, o que resta ao enredo é um grupo brincando de pré adolescentes mal amados que vivem de fazer mimimi. Isso quando não estão bancando mártires em busca da redenção mundial. Tudo do jeito mais pedante possível. Juro que tentei, mas simplesmente não aguento mais essa atmosfera de moralidade misturada com pastelão. Se o próximo episódio não fosse último, juro que abandonaria uma review pela primeira vez em quase 3 anos e  2852 posts no NaTV. E olha que nem com a tétrica Off The Map eu não pensei em fazer isso.

Na verdade, a grande diferença é que a série de Shonda Rhimes não tinha tanta intenção assim de ser levada a sério. Ela é a criadora de Grey’s Anatomy, gosta de usar drama, tragédias, fazer chorar e tal. Não se pode exigir mais do que isso. Mas, e Aaron Sorkin e todo seu idealismo transferido para personagens heroicos e dignos de admiração? Onde é que fica isso enquanto temos um âncora jornalístico caindo no chão enquanto veste as calças? Chama Maurício Shermann, está na hora de ir pro Zorra Total.

O que mais me irrita é saber o quanto a premissa está sendo jogada no lixo, deixando temas mais relevantes de lado e explorando uma mistureba ridícula de relacionamentos. Ok, já entendemos que Maggie e Don não foram feitos um para o outro. Já sabemos que Jim não quer nada com Lisa. Já cansamos de perceber que Will quer punir Mackenzie. Dá pra seguir em frente ou precisamos de mais momentos constrangedores? E o que dizer do terapeuta que simplesmente mastigou as respostas de todas as dúvidas do jornalista e entregou de bandeja, todo eficiente? Eu assistiria muitas sessões intrincadas dos dois se seguissem o mesmo caminho das anteriores. Agora, porém, tudo foi tão superficial quanto o resto do episódio. Tenho certeza que essas análises baratas poderiam ter sido feitas por Rhonda com muito mais empenho.

 Mas, tudo bem, eu aceitaria esses momentos desnecessários desde que intercalados com as discussões a que a trama diz se propor. O problema é que nem o tal debate que dá nome ao episódio mereceu tempo de cena. A equipe ensaiou, criou expectativa, se empenhou, tudo para que a questão se resumisse ao protecionismo de McAvoy com a ex.

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Mackenzie. Deus do céu, não lembro de odiar tanto um personagem em toda minha vida televisiva. Não sei se existiu alguma tentativa de fazê-la ser engraçada, mas não, não, não mesmo. Nenhuma de suas falas tem alguma coerência com a imagem de super produtora, mega profissional, sou foda all the time. O discurso de abertura do episódio foi patético, de alguém que não sabe o que está fazendo e está à espera de um milagre que a coloque no eixo. Se é que algum dia existiu algum eixo em sua vida.

A grande dúvida que me consome nisso tudo é a sensação de que ela devia ser uma heroína que cometeu um errinho e merece ser desculpada, graças a sua perfeição. Basicamente, a produtora traiu Will por dois meses há mais de 3 anos, ele nunca se recuperou e vive num mundinho dramático, e ela está à espera de seu perdão? Foi por isso que voltou a trabalhar na emissora? Para tentar reatar com o homem a quem não foi leal? E enquanto isso, vai fazendo um programa pretensiosamente correto?

Eu entendo e até gosto do engajamento em  tornar o News Night um veículo diferente dos outros, que exploram apenas a desgraça por si só. Mais uma vez, queria ver mais disso. Só não dá pra entender e aceitar a prepotência com que conduzem isso às vezes. Parte de mim sente vontade de concordar com o executivo que não quis o debate, já que tudo poderia virar um show para enaltecer o âncora. Apoio 100% a ideia de que o formato é engessado demais, mas a  postura de capa e espada em propôr algo diferente incomoda. Não é como se eles estivessem trabalhando profissionalmente por uma ideia melhor, mais útil. Eles estão trabalhando apaixonadamente para vender a ideia de que estão salvando a América. Por que eles sabem fazer, e os outros estão ocupados demais se preocupando com as contas a pagar, com os filhos na faculdade. É como se todos fossem covardes e eles os únicos a levantar a bandeira da retidão, impedidos de catequizar a humanidade por que nem todos os aceitam cegamente como modelo de perfeição.

Só que aí, ao invés de tentar mostrar mais do que estão fazendo, dando mais credibilidade para esse grupo, aprofundando mais na mudança que estão tentando imprimir, o que a história faz? Coloca Mac pra ser a idiota da vez, DE NOVO.

A cada grito insuportável proferido na frente de Will, mais me convenci de que essa não foi a série que eu esperava assistir. Se é pra ver gente descontrolada fazendo barraco, eu fico com A Fazenda. Pelo menos lá o objetivo é conquistar 2 milhões. Mais fácil torcer por uma pessoa surtada de verdade do que por uma caricatura insossa.

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Sei que esse é um texto meio cheio de rancor e que se alguém ainda estiver gostando dos episódios, corro o risco de ser linchada. Mas, sinceramente? Perdi a paciência. Adoraria ouvir a opinião de alguém que tenha se empolgado com o que aconteceu nesta segunda parte (alguém me explica por que a divisão?), talvez pra acalmar essa impressão de que não perdi uma hora da minha vida, porém, não retiro nenhuma palavra.

Semana que vem, a primeira temporada chega ao fim, AMÉM, e espero ter me arrependido um pouco. Seria ótimo ser surpreendida com um gancho alucinante que me faça querer ver o segundo ano, mas não acredito nisso nem um pouco. Minha aposta é de que Will leve um tiro ou algo assim, bem clichê. Particularmente preferiria um incêndio no prédio, em que só Don e Will sobrevivessem, mas enfim, só um pouquinho de coerência já me faria feliz.

   

Sobre Carla Gomes

Carla Gomes é viciada em séries e gosta de assistir tanto coisas novas quanto clássicas, de preferência do início ao fim e sem qualquer preconceito. Jornalista e meio autista por opção, de vez em quando pode ser encontrada no Twitter @_CarlaGomes_

Comentários

  1. laura disse:

    meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeu deus! total.

    acho que eu to menos abalada porque eu meio que descobri que a série ia ser assim láá em abril, quando vi o trailer. inicialmente eu achava que ia ser bastidores e que ia mostrar algo bem estilo mad men, sabe? porque eu vou dizer, mad men me fez dar novos olhos à publicidade e voce vê lá que existe uma ética em don draper e em alguns personagens, mas voce ve também como as coisas tendem a ser na realidade. entao eu meio que comecei preparada.. só assisti mesmo por recomendação, porque eu temia essa sensação de decepção :/

    meu sentimentos por mackenzie são os mesmos seus. pelamordedeus, eu nao sei o que ela deve ser. uma chefe foda ou uma personagem iludida e que dá uma de engraçada e manda que seus empregados se amem, tá tudo bem, podem fazer o que quiserem?! eu entendo o clima mais descontraído lá em studio 60, porque era um programa de comédia que eles faziam.. mas esse aqui tá perdido! é um telejornal, pelamordedeus!

    eu comecei gostando do seriado, achando ele interessante e tal.. mas as falhas começaram a me incomodar bastante… e tô que nao aguento mais nada. eu já tinha feito as pazes com don, porque acho que é dos personagens mais bem construídos, aí eles me aparecem com um caso dele pra dizer que nao, ele nao presta pra maggie! porfavor. maggie nao presta pra ninguém. essa frescura empurrando a amiga pra will, faça-me o favor! ela teve minha compaixão inicial, quando pôde acabar com don e ficar com o fofo do will, agora vá pra merda.

    achei a ideia do debate massa.. gostei no fim aquela cena mostrando como o debate acabou acontecendo e tal.. mas nao gostei como as coisas se desenrolaram. primeiro eu nao gostei porque nao focaram mais nisso. pareceu "uma coisa a mais".

    e esse outro cara que era o namorado de mackenzie?! acho que até essa novela das oito tá com uma história mais interessante do que qualquer coisa que tentaram passar por aqui.

    • Laura, que alívio, obrigada! Estava me sentindo meio idiota, sabe!? Pq tem muita gente amando a série loucamente e eu mal consigo chegar ao fim deste episódio.

      Eu gosto demais de Studio 60 e tinha reassistido a temporada pouco antes da estreia de Newsroom, então estava acreditando cegamente que seria amor à primeira vista. Não esperava que fosse virar nisso aí, não. Confesso que não consegui parar pra gostar de Mad Men ainda, apesar de ver tantos elogios. Vi alguns episódios e não me prendeu. Talvez eu deva tentar de novo, pra tirar esse gosto amargo de série sobre comunicação.

      Eu até gosto da atmosfera jornalística, apenas jornalística, da série. Quando eles estão atrás de pautas, essas coisas. O que me incomoda é que em nenhum momento Mackenzie parece ser útil para a equipe. Ela só fica surtando! Não trabalha, não discute, é só Will, Will, mimimi, Will. Não aguento.

      E Maggie, concordo plenamente com vc. Torcia pela fofura ao lado de Jim (por mim ele ficaria só cantando o episódio inteiro, não precisa atuar), e comecei a gostar mto de Don tbm, por ele ser mais real do que todo mundo, mas as coisas começaram a cansar demais. Não precisava desse triângulo/quadrado amoroso.

      Tbm queria mais do debate, saber como poderia ter sido se um candidato aceitasse participar, por exemplo. Acredito que poderia render um episódio bom, chega a ser frustrante.

      Mas, não viemos até aqui pra desistir agora, né!? Mais uma semana, só mais uma. E, obrigada pelo apoio na revolta de novo ^^

    • Na minha opinião, Mad Men começa monotonamente, mas depois melhora consideravelmente. As quarta e quinta temporadas são demais. Falando em séries jornalísticas, já viram The Hour. É ótima. E tem ainda uma série do Sorkin, sobre um telejornal de esportes, acho, que durou uma temporada. Queria ver.

      Acho essa comparação com Studio 60 descabida. Nada impede de Newsroom fazer humor. O problema é o tipo dele. Esse pastelão, com gritarias, tombos e calças arriadas é totalmente inadequado. Muito exagero.

      O Don é um caso interessante. Fazem-no vilão pelo programa sensacionalista que produz e pelas discussões com os "mocinhos" do News Night. Acredito que seja uma característica do trabalho dele, apenas; não algo para crucificá-lo. E tem, claro, o atravessamento dele ao "casal perfeito" da série (NOT!). Como se não bastasse, essa inserção da traição foi de uma manipulação gigante, pra deixar a insuportável Maggie mais simpática ao público e poder romper com o namoro, sem problemas.

      Eu não gosto do Jim. O cara é muito perfeitinho. O pobre coitado que não consegue ficar com a mocinha. Ele me lembra o Jim de The Office, já na oitava temporada. Este, quando a série estava nos anos de ouro, era facilmente querido. Depois, na draga e com o desgaste natural, sua figura se tornou clichê e irritante. O Jim de Newsroom não tem a mesma rodagem, mas transferir o espírito do outro a esse.

      Sobre o debate que foi ao ar, na outra emissora, acredito que seria assim na Globo, caso o Tiago Leifert fosse o mediador. Adoraria saber o que o José Serra tem em seu iPod (mentira).

      Estranhamente, eu assisto The Newsroom com uma facilidade incrível. Os problemas me incomodam, mas não a ponto de eu desistir. Vai de cada um, né?

      • Eu já ouvi muita gente dizendo a mesma coisa, Rafael, que é preciso um pouco de paciência até conseguir entrar no mundo de Mad Men. É isso que me impediu de não ter desistido definitivamente da série. Ainda volto pra dar uma nova chance. Sobre The Hour, vou procurar, não lembro de ter assistido. Já a série do Sorkin se chama 'Sports Night', teve 2 temporadas. Ela é uma comédia declarada, com claque e tudo. Estou vendo a primeira temporada, o elenco é ótimo e tbm tem uma coisa meio engraçadinha demais, a diferença é que lá combina mais, pela atmosfera mais leve.

        Antes da estreia de Newsroom, eu vi uma entrevista do produtor dizendo que seu texto era mto fraco na época de Studio 60 e que agora estava bem melhor. Isso criou mta expectativa pra mim, pq eu realmente gostava mto de Matt e Danny. Me decepciona não conseguir encontrar quase nada que justifique essa declaração dele. Afora os arroubos de Will, tudo soa meio desnecessário. Concordo que existe lugar pra humor, desde que com bom senso.

        Eu comecei a série gostando mais de Jim do que de Don. Gosto dele cantando e até dessa ingenuidade meio boba. Porém, ao longo do tempo, Don se mostrou mais real do que a maioria dos que estão sendo retratados ali. Achei péssimo que tenham tentado colocá-lo como vilãozinho, por causa das flores. Apesar que vê-lo sem Maggie seria ótimo. Assim ela poderia ficar quietinha num canto, sem incomodar.

        Olha, eu tenho preconceito musical. Um debate a la MTV (E aí ''''galera'''', pq vcs resolveram se candidatar?) não seria de todo ruim, viu!? Incluir perguntas sobre cultura pop não seria de todo ruim. Agora, falando sério, o mais frustrante foi vê-los falando sobre a ideia por tanto tempo e simplesmente acabar de uma hora pra outra.

        Eu te invejo por não se revoltar, sabia? Talvez seja culpa da expectativa.

  2. Olha, eu prefiro textos que descasquem em vez dos que babem o ovo de uma série. Você sai da zona de conforto e estimula o senso crítico.

    Faltam bons personagens femininos à série. Até a Sloan é fraquinha, com suas reações instantâneas e artificiais a situações adversas (como quando o indiano relata como irá trollá-la, chamando-a de vadia e falando dos seus seios).

    Sobre A Fazenda, acredito que os participantes barraqueiros sejam tão caricatos como McKenzie.

    • As principais críticas americanas sobre a série têm falado mto sobre as personagens femininas de Sorkin, indicando até algum tipo de misoginia. Não sei se chega a esse ponto, mas é verdade que ele tem mais as ridicularizado do que feito crescer ou ser minimamente interessante.

      Não acho que os participantes de A Fazenda sejam exatamente reais, estava mais tentando achar uma comparação à altura do meu grau de irritabilidade na hora.

      Obrigada pelos comentários, é bom conhecer outras opiniões (:

  3. justserie disse:

    Realmente, a melhor parte da série é quando eles começam a falar das notícias. Mas não adianta. Já me apeguei!! É um vício que poderia ser uma das melhores coisas na tv.
    A temporada teve episódios com vários momentos ótimos e outros com 'putz…vergonha alheia', como o Will tentando colocar as calças (aquela situação tinha uma analogia?! Me senti um pouco burra por não entender porque aquilo estava acontecendo…era ridículo demais).
    Eu também achei que o nono episódio seria muito bom por causa do debate e todo aquele clima….mas depois eu percebi que realmente era só para o Will se sobressair.
    As personagens femininas da série parecem perdidas e não se acharam na trama. Po, a Sloan tinha tudo para ser uma ótima, mas ficou muito caricata. Bem…a Mackenzie tá sempre fora do ritmo….(o que foi aquela crise no meio da redação?! Ela não é a mais mais? Não enfrentou situações de risco?! Levou tiros….Ficou em crise agora?!). Sem contar que achei muito forçado a amiga da Maggie conhecer a Casey. O mundo é um ovo!!
    Eu adoro as cenas do Will no divã e os diálogos com o segurança. Sempre rendem coisas boas.

    Maaasss, o episódio termina com o Don contando tudo para Maggie, ao som de Amy Winehouse (Will you Still Love Me Tomorrow). Penso: droga, terminou tão bem!!
    Estou com esperanças no season finale.

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