
Geralmente depois de assistir a um episódio, qualquer que seja a produção, tenho uma leve noção do que escrever. No entanto, com The Newsroom essa tem sido uma tarefa cada vez mais complicada. Mesmo gostando de algumas coisas e morrendo de preguiça de outras, quase me sinto sem argumentos, o que me leva a pensar, novamente, se essa não é uma série pra mim.
Imagino que não seja exatamente politicamente correto dizer isso, mas não consigo sentir o mínimo de comoção pela prisão/morte de Bin Laden. Pra falar a verdade, durante 5/1 fiquei tentando lembrar de alguma notícia que pudesse ter tido o mesmo peso por aqui do que esta nos EUA e não consegui. Até onde consigo pensar, não temos um alvo tão grandioso e aguardado como esse, alguém pronto para se tornar parte da história. Pelo menos não nestes termos de suspense e expectativa. Talvez por isso, minha paciência tenha sido tão reduzida nesta semana.
Gostei da sequência de abertura, com John Gallagher Jr. cantando, é provável que tenha sido meu momento preferido. Apesar disso, não posso deixar de comentar o quanto a festa parecia meio sonsa. Já achei Guitar Hero algo mega legal de se jogar, mas talvez em 2008 por aí, agora soa meio sem noção. E o que dizer do jogo de xadrez solitário? Deus do céu, quem é que faz isso no meio de uma socialização? Não que eu estivesse esperando mil loucuras, mas tudo foi coxinha demais, mesmo para um encontro na casa do chefe. O que a salvou, pelo menos pra mim, foi a ideia de que pessoas que fazem notícia podem ser interrompidas a qualquer momento, e isso não poderia ser mais verdade. Além disso, espero saber mais sobre o tal homem que ligou para Charlie. Tem potencial para se tornar um gancho para final de temporada. Especialmente por que não consigo perceber uma grande trama recorrente. A não ser as relacionadas aos romances que acontecem por lá.
Eu achava o jeito de Maggie bem divertidinho nos primeiros episódios. Sua química com Jim é nítida e cada vez mais inevitável. O problema é que está ficando tão repetitivo que nem consigo mais torcer pelos dois. Estou até pensando no quanto Don merece uma chance.

Fiquei morrendo de pena dele, por não ter podido sair do avião. Entendo o peso de querer estar presente num momento como esse e acredito sinceramente que merecia ter conseguido. Ri com seus momentos com a aeromoça e simpatizei bastante por sua paixão pelo jornalismo. Ainda a encaro como o ponto forte de toda série. O quanto todo mundo está disposto a fazer pra ser o primeiro a entrar no ar, a dar a informação mais correta.
Nesse sentido, estou tentando respeitar mais Charlie. Ainda tenho dificuldade com aquela gravata borboleta, confesso, mas suas histórias ‘do passado’ prendem minha atenção. Não é à toa que ele está no posto de chefe e senti vontade de saber mais sobre o que já fez ou cobriu. Sua postura firme é admirável, mesmo que represente muito dessa romantização forçada que toda a história tem mostrado.
Juro que tento acreditar na atmosfera de retidão de Newsroom, mas às vezes tudo parece um conto de fadas, em que não se permite erro. As pessoas não podiam apenas comemorar a captura de Osama, por exemplo, precisava ter alguém que perdeu um parente no atentado, e que ficou triste e lembrando de tudo. Will não poderia simplesmente ter fumado um cigarro de maconha, precisou ser um biscoito. Esses pequenos detalhes me incomodam tanto. É como se faltasse realidade justamente quando mais precisam dela. Realidade daquelas que não se mostra e que certamente existe em qualquer veículo como esse.

Não sei. Às vezes fico pensando se não estou de má vontade com a série. Tenho visto muitas críticas diferentes sobre ela e isso me deixa ainda mais perdida. Algumas pessoas amando cada segundo e outras extremamente incomodadas com a fragilidade do enredo, sempre muito heróico.
Faltando três episódios para encerrar a primeira temporada, ainda não consegui formar uma opinião de amor ou ódio. Como falei no começo, sem dúvida me causa alguma preguiça, principalmente quando apela para um engajamento que não tenho. Mas ainda consigo gostar, mesmo assim. Dessa vez, sem tanto enfoque em Mac e no próprio Will, algumas coisas pareceram funcionar bem e outras mal. Apesar disso, essa duplicidade de opiniões me confunde. O grande problema é que me falta vontade de tentar me empenhar mais pelo enredo.







