
De vez em quando tenho a sensação de que The Newsroom demora pra engrenar a cada episódio. Isso até me incomodaria, no entanto, quando consegue alcançar seu potencial, a série se torna imbatível. Continuo tendo dificuldade em prender minha atenção nas notícias em si, meu lado engajado é nulo, mas a atmosfera que guia o jornal se torna mais instigante a cada semana.
Embora goste muito da interação boba entre Maggie e Jim, foi bom que eles tenham sido meros coadjuvantes desta vez. A química entre os dois é latente e todos já sabemos que vai surgir um romance ou triângulo amoroso dali, a questão é que esse não é ou deveria ser o enfoque. Pelo menos não da maneira como acontece algumas vezes. Eles podem servir como alívio de vez em quando, mas não gostaria que se tornassem cansativos. Até por que, pelo que pudemos comprovar, outros personagens podem segurar o episódio sem o menor problema.
Confesso que fiquei surpresa quando Don chamou Sloan para apresentar o jornal. Não achei que ela pudesse circular livremente pela programação, e talvez até não devesse, a julgar pelos acontecimentos. Contudo, serviu como uma boa maneira de mostrar os limites entre ser um Will McAvoy competente ou um Will McAvoy que se excede. Ao tentar brincar de âncora incisivo, ela foi parar justamente no exagero, que gerou tantos conflitos quanto possível. O que me deixa bastante intrigada com o que aconteceu com a ”’menina”” é que tenha sido tão fácil cruzar o limite ético do on e do off the record. Claro que estava inflamada pela vontade de ter a declaração certa, a qualquer custo, mas essas são coisas que permeiam tanto a profissão que me assusta um pouco. Tenho minhas dúvidas se seria assim tão fácil esquecer que precisa respeitar a fonte.
Discussões pessoais à parte, o erro da economista permitiu novas interações, como a tida com Charlie. Seu diálogo foi meio que uma mistura de choque e de divertimento, já que ainda tenho dificuldades em levá-lo a sério. Juro que não sei se conseguiria respeitar meu chefe se ele usasse gravata borboleta. #MentiraChefeMeuPodeUsarARoupaQueQuiserNãoMeMandeEmboraPorFavor.
Também continuo em crescentes dúvidas sobre Mac. Dessa vez, ela simplesmente não serviu de nada para a trama jornalística principal. Sua opinião foi desconsiderada e ela também virou uma espectadora, sem voz nenhuma. Não fosse por sua ideia de investigar a vida do ex, mal teria tido tempo de cena. E, sinceramente, eu não reclamaria nem um pouco. Essa sua ingenuidade me irrita, especialmente por que não sei onde quer chegar. Ela quer o perdão de Will? Quer voltar para ele? Quer aliviar sua consciência? Quer que seja fácil? Não entendo.
Não entendo também como é que alguém pode pensar em comprar uma aliança só pra atormentar a culpa alheia. Ainda estou tentando formar uma teoria sobre o protagonista estar trocando as letras e as palavras, mas também parece uma atitude ingenuamente bizarra, que não pode ser normal.

A presença do terapeuta na série não poderia ser mais bem vinda neste sentido. Morro de vontade de entender o que se passa na cabeça de Will e ele pode servir como uma ótima ponte para isso. O homem que conhecemos na estreia não é o que vemos hoje. Mas, qual será a versão mais correta? O deste defensor de sua equipe, que se exalta às vezes, ou aquele homem apagado, que aceitava tudo e só eventualmente surtava em um estalo?
Achei bastante interessante que tenham mencionado o número de remédios que costumava usar e, principalmente, que teve depressão ao fim do namoro com Mac. Como disse, a acho extremamente insossa e bobinha, e não consigo comprar muito a ideia do amor fracassado, ainda assim, acredito que ele pode ter ficado doente. Impossível não pensar em Matt em Studio 60 (desculpe, preciso parar com essas comparações, eu sei), que admirava a mulher amada mais do que tudo, mas sabia que dificilmente conseguiriam ficar juntos. Será que é isso que se passa na cabeça de McAvoy agora? Ele a ama, a admira, a respeita, mas não quer mais nada por que sabe que nunca vai esquecer a traição?
Inicialmente pensei que tinha sido um caso de uma noite só, uma breve indiscrição (beijo, KStew), mas 4 meses? Como é que ele consegue conviver com uma pessoa que foi desleal por tanto tempo? E como é que eu vou conseguir torcer ou respeitá-la depois de saber isso? Já morro de preguiça de sua existência e ao conhecer mais um lado detestável, fica difícil ter alguma empatia. Por outro lado, continua crescendo meu interesse por personagens menos explorados, em especial Don, e o funcionamento de tudo que está por trás dos programas.
Aquela reunião final, em que todos decidem se devem mentir ou não só não foi a melhor parte do episódio por que tivemos o incrível embate de Will com o entrevistado. Se tem uma coisa que Sorkin sabe fazer é criar diálogos que praticamente hipnotizam.

Desde que Will fez aquele editorial dizendo que ele e Mac decidiram o que iria ao ar, fiquei com a sensação de ‘quem é você para decidir alguma coisa?’, talvez por isso, toda fúria do assessor do candidato Santorum tenha me lavado a alma. Concordo e aplaudo todo discurso em defesa da união homossexual, mas também apoio plenamente a noção de que ninguém deve impôr sua opinião. Tenho ainda muitas ressalvas com o cargo de âncora/acusador a que McAvoy se propõe e gostei de ver um contraponto, que não o coloca como infalível, já que está longe de ser puramente um herói, como se parece algumas vezes.
Não sei se a ameaça de morte vai ser retomada daqui pra frente, mas acho que poderia ser algo interessante, como consequência mais direta do novo posicionamento do jornal. E adoraria que a presença do terapeuta fosse algo mais frequente, assim como o jeitinho ~doce e estúpido do segurança. Ambos me instigam bem mais do que apenas o romance mal resolvido do (não)casal principal. Como já comentei outras vezes, o equilíbrio é o que mais pode fazer bem a Newsroom. Quando consegue circular por mais de um plot, fica mais fácil gostar e se prender ao episódio.







