Já estou ficando sem elogios pra fazer a The New Normal, a série está simplesmente excelente, cada episódio é uma delícia de se assistir. Reclamar de qualquer coisa é impossível, atuação, roteiro, humor…Tudo está no mínimo impecável. Essa semana, não poderia ser diferente. E quem já me conhece sabe que eu não sou de me apegar a sitcoms, mas as comédias da NBC me ganharam nessa Fall.
Essa semana a trama da série girou em torno de dois temas que mais cedo ou mais tarde eu sabia que apareceriam: religião e a relação entre Goldie – a barriga de aluguel – e Bryan e David, os verdadeiros pais da criança. Achei bacana como Titia conseguiu fazer um trabalho mais que excelente com os dois temas, principalmente com o primeiro. Uma abordagem, talvez, nunca vista antes. Afinal, se não tem polêmica, não foi feito por Ryan Murphy.
Bryan e David perderam sua espiritualidade e religiosidade ao longo do tempo, então quando notam que o bebê vai precisar de algum conselho espiritual, eles decidem procurar por uma madrinha. O que rende a cena hilária em que eles pedem pra um casal de lésbicas pra amadrinharem (segundo o dicionário essa palavra realmente existe) a criança. Só que eles tinham mesmo que pedir pra duas pessoas que não podem ter filhos?! Gente, tem horas que o bom senso passa longe da cabeça dos protagonistas. E a série ainda aproveita pra dar uma alfinetada no Sistema de Adoção que realmente é complicadíssimo.
Percebendo que não pode procurar por alguém com espiritualidade, quando ele mesmo perdeu a sua, Bryan decide ir em uma Igreja Católica e se confessa com um padre. Sou meio suspeito pra me pronunciar sobre o tema Deus e religião, mas não sei quais as chances de existir um padre como o da série. Não sou de frequentar a Igreja, entretanto sei que tem muita hipocrisia nesse meio. É, já vi muitas reportagens de pedófilos, falsos profetas, pastores com um número de propriedades maior que o de Eike Batista e tudo o mais.
Mas é aí que os roteiristas sambam na minha cara e não apontam apenas os erros dos religiosos, mas também aponta as falhas do homossexuais. Sou obrigado a concordar com o pensamento que o padre passa, se os gays acham que devem ter direito à religião, eles deveriam lutar por esse direito. A pergunta que fica é: a religião que não aceita os gays, ou os gays que pararam de aceitar a religião?
Na minha opinião, tem um pouco dos dois, tenho alguns amigos homossexuais e já vi muitos deles admitindo que sentem a necessidade de acreditar em uma força maior, se sentir conectados com esse lado espiritual da vida, mas acabam se tornando “ateus” por que, até onde sei, homossexualidade acaba sendo abominada por praticamente todas as religiões.
O que nos leva de volta a Bryan e David – se me derem corda eu acabo montando um artigo religioso – o primeiro volta a se conectar com seu lado espiritual. Já o segundo, mostra-se mais agnóstico e apenas dá suporte pro parceiro. O que é muito bonito de se ver, aliás, é o respeito entre as pessoas a mensagem que a série tenta passar, o que não podia ser mais bacana.
Ninguém deve ser julgado por suas opções e escolhas, como já diz o ditado “Deus deu a vida pra cada um cuidar da sua”, sem mencionar que a biblía (acho eu) prega o “livre arbítrio”. Ou seja, nada de agir com certo recalque com as opções dos outros. Pode ser gay, hétero, bi ou transsexual e pode ser católico, ateu, evangélico ou judeu (momento letra-da-Gaganás).
Todos têm o direito de ser e acreditar no que bem entender. Já imaginou se todo mundo fosse se incomodar com os outros? A segunda guerra mundial nunca teria acabado e Hitler teria dominado o mundo, na melhor das hipóteses. Se incomodar com os outros é puro recalque e inveja.
Acredito eu, assim como a série tenta transmitir, que a nossa religiosidade está dentro de nós. Não sinto a menor necessidade de “ir para a igreja” na minha vida, sinto-me muito bem em encontrar minha fé dentro de mim – ou melhor, minha falta de fé. O importante é fazer o bem sem visar uma recompensa, fazer o certo, simplesmente, por ser o certo. E ainda mais importante: ser você mesmo sem ter medo de um castigo divino.
Em paralelo a isso, vemos que Goldie percebe que “é apenas a barriga de aluguel” e acha que depois que ter o bebê, vai ser esquecida por Bryan e David. Mais pra frente vemos que tudo é trauma psicológico e que tudo não passa de medo de se magoar mais um vez. Em vista que a mãe dela a abandonou, o marido traiu com um japonesa estranha e a vó a odeia. Com uma vida dessas, só criando um universo paralelo onde você é a Michele Obama. Mais tarde, ela percebe que eles não vão abandoná-la, ao menos, não tão cedo.
Ainda vemos um plot clichê, daqueles que tem em toda série de família: a caçula chega com um hamster em casa e os mais velhos deixam o animalzinho morrer. Então eles compram outro parecido, exceto que o que eles compram é fêmea enquanto o que morreu era macho. De quantas séries vocês conseguiram se lembrar?! Mas como em The New Normal nada é exatamente normal, Shania aceita a morte do animal super bem, enterra ele e ainda age com uma maturidade que poucos tem. Seja lá quem escreveu aquele discurso da Shania, só me resta assinar em baixo, eu mesmo tenho essa filosofia de vida: “Viver pelo agora”.
No final, eles percebem que Rocky (que também tem algumas cenas ótimas tanto com Shania quanto com sua sobrinha) e Shania são as madrinhas/guias espirituais perfeitas pro filho deles. Não podiam ter escolhido melhor, né? Nada melhor que crescer com dois pais e duas madrinhas. Já pode mudar o nome da série pra The New Anormal.
Só pra finalizar:
- - Morto com todas as referências ao tanquinho de Jesus – por favor Academia Divina.
- - Cuidado quando comerem salada, segundo Rocky, vocês podem estar comendo seu tataravô.
- - Bryan e David tem mais química que muito casal hétero por aí.












Poi é!Acho q não existe padre como aquele não.Que cara mais bacana!