
Uma das vantagens das séries televisivas, em canais pagos, é que seus criadores não têm medo de ousar e freqüentemente tratam de temas que ainda são tabus ou provocam muita polêmica na sociedade. O politicamente correto passa longe desses programas e geralmente possuem em seus episódios um ótimo senso de humor, mesmo que grosseiro para algumas pessoas e firam a moral e os bons costumes. Foram selecionados nesse especial alguns desses temas que ainda causam discussões na vida real, sem chegar a um consenso. Alguns países aprovam, outros desaprovam, uns legalizam, outros consideram terminantemente proibido, algumas religiões aceitam, outras condenam. O fato é que hoje em dia a maioria das pessoas não veem com bons olhos quem pratica tais atos.
Confira abaixo tais assuntos espinhosos retratados em seriados:
POLIGAMIA

Na maioria dos países, ter mais de uma esposa ao mesmo tempo é uma prática completamente ilegal, mas em cultos mais fechados, assim como em regiões da Índia, Marrocos, Sri Lanka, dentre outros poucos lugares, é uma prática comum, assim como é permitido para os adeptos do Islamismo, desde que com o consentimento da mulher, óbvio. Porém, o tema é famoso na curiosa religião Mórmon, onde, no princípio de sua criação, era permitido ao homem praticar a poligamia. Tais atos foram considerados ilegais, após muitos protestos da sociedade americana e atualmente a poligamia ainda existe em pequenos grupos isolados, não filiados à Igreja Majoritária.
Big Love, série que já vai para sua quarta temporada, da HBO, trata exatamente desse tema, onde Bill Henrickson, interpretado por Bill Paxton, é um mórmon fundamentalista que vive com três mulheres: Barb (Jeanne Tripplehorn), Nicolette (Chloë Sevigny) e Margene (Ginnifer Goodwin). Em alguns casos o casamento normal já é uma dor de cabeça, imagine se o camarada possui três esposas, todas vivendo praticamente sob um mesmo teto? Haja paciência! O tema é tratado sem preconceitos e de uma forma bastante natural, onde simpatizamos com aquela família, mesmo que altamente complicada e Bill, juntamente com seus filhos e esposas, tenta esconder de todo mundo a poligamia, a fim de continuarem firmes e fortes com esse amor proibido.
VENDA DE DROGAS ILÍCITAS

O tráfico de drogas não é aceito em nenhum lugar, mas a compra lícita em estabelecimentos autorizados e até a legalização de drogas leves, como a maconha ou haxixe, é uma realidade na Holanda, por exemplo. Já em relação às drogas mais pesadas, ainda é uma polêmica torná-las legais. Quantas passeatas aqui no Brasil e em outros países já ocorreram a favor da legalização da Maconha? Aproveitando desse tema, duas séries resolveram adentrar nessa seara. Weeds, a bem sucedida série do canal Showtime, em sua quinta temporada e Breaking Bad, do canal AMC, que vai para seu terceiro ano em 2010, utilizam como tema principal a utilização das drogas como meio de sobrevivência.
Em Weeds, a personagem principal é Nancy Botwin (Mary-Louise Parker), uma pacata mãe viúva, moradora da cidade Agrestic que sente dificuldades ao ter que cuidar sozinha dos dois filhos e de si mesma, após a morte do seu marido. Ela então tem uma idéia: Resolve virar traficante de drogas, mais precisamente de maconha. Os ganhos financeiros que a Nancy obtém são diretamente proporcionais às confusões que ela se envolve, tudo para o bem de sua família. Já em Breaking Bad o tom é mais sério, diferente da comédia da Showtime. Nesse drama da AMC, o personagem principal Walter H. White (Bryan Cranston), um químico e professor de ensino médio, descobre possuir um câncer no pulmão. Pensando nas conseqüências de sua morte e como sua família iria se sustentar, resolve tomar medidas drásticas: Utilizar seu conhecimento em Química para criar drogas e vendê-las.
PROSTITUIÇÃO

Nessa parte temos representantes dos dois sexos. A prostituição é uma profissão honesta, pelo menos na Holanda, onde é legalizada e já cogitaram até aqui no Brasil qual seria o impacto se resolvessem torná-la legal, como uma profissão qualquer, um tema bastante controvertido na maioria das partes do mundo. A nova série da HBO, Hung (Já renovada para uma segunda temporada), conta a história de um professor de basquete americano, Ray Drecker (Thomas Jane), divorciado e pai de dois filhos rebeldes. Seu emprego não lhe dá o sustento necessário e piora ainda mais quando ocorre um incêndio em sua própria casa, onde não possui dinheiro para começar a reforma. Após participar de um grupo de auto-ajuda, que incentiva seus membros a investirem nos seus próprios talentos, Ray resolve utilizar sua ferramenta para o sucesso: Seu enorme pênis. Vira então um garoto de programa, um consultor da felicidade, utilizando a prostituição como um meio para pagar suas dívidas e dar uma vida justa para seus filhos.

Já em Secret Diary of a Call Girl, série inglesa transmitida pela Showtime, somos apresentados à rotina de Belle (Billie Piper), uma jovem que adora sexo e quer ganhar com isso, utilizando seu corpo como fonte de renda. Baseada na vida real da garota de programa Belle de Jour, uma jovem que utiliza seu blog para contar suas aventuras sexuais (Uma Bruna Surfistinha inglesa, resumindo), lançando até um livro depois, já tem sua terceira temporada garantida, mostrando que o povo gosta de sacanagem.
ABORTO

Esse aqui é um tema muito polêmico e algumas poucas séries tiveram coragem de falar sobre ele. No episódio “One Day, One Room”, da terceira temporada de House, o nosso médico rabugento entra em um dilema ao lidar com uma jovem vítima de estupro, havendo durante o episódio uma discussão acerca do aborto.

Um caso bastante peculiar ocorreu na série Family Guy, também da Fox. Quando decidiram fazer um episódio sobre o assunto, chamado “Partial Terms of Endearment”, a Fox proibiu a transmissão, mas poderia ocorrer a distribuição em DVD. O episódio continua no limbo. E por último, posso citar também outro caso de proibição, ocorrido na Showtime, em relação ao episódio “Imprint”, da série Masters of Horror, season finale da primeira temporada. Apesar desse seriado não se concentrar em discussões filosóficas e afins, mais voltado para a diversão e para os fãs de terror, este episódio dirigido pelo maluco Takashi Miike foi censurado e foi relegado para DVD (Esse pelo menos foi lançado). Motivo: Mostrava cenas violentas de tortura e aborto. Em 31 países o aborto é legalizado, entre eles a Suiça, o México e o Canadá, mas é algo bastante controverso.
EUTANÁSIA

E esse aqui, alvo de tantas discussões jurídicas, éticas e morais? Retratado em muitos filmes, o tema também aparece no mundo dos seriados televisivos, principalmente nos de temática médica, como Private Practice, da ABC ou House (Olha ela aqui de novo!). No décimo terceiro episódio da segunda temporada de Private Practice, chamado “Nothing to Fear”, Pete e Sam estão com um paciente vítima de um câncer pancreático, com poucas semanas de vida. Ele então opta pela eutanásia, provocando um dilema imenso para os dois médicos, em momentos emocionantes e fortes de se ver.

Já no episódio “Informed Consent”, também da terceira temporada de House, Hugh Laurie se depara com mais um caso complicado: Ezra Powell (Detalhe: O personagem é interpretado por Joel Grey, o mesmo que interpretara o paciente do episódio citado acima, de Private Practice), um grande pesquisador médico, desmaia durante uma de suas pesquisas, já muito doente. Sem esperanças de vida e com fortes dores, os médicos não sabem qual é a sua doença, mas Ezra pede para morrer de uma forma digna. Na vida real, a eutanásia é legalizada na Holanda (De novo!), por exemplo, mas a prática ainda é ilegal em muitos países, inclusive no Brasil.
HOMOFOBIA

Por fim, resolvi tratar desse assunto, tão discutido nesses dias e que se tornou um crime passível de indenizações pesadas, assim como o racismo. Existem séries que falam muito desse tema, como The L Word, Queer As Folk (Essas duas primeiras por sua própria temática) ou Brothers & Sisters, mas resolvi dar ênfase para as duas crias de Alan Ball, premiado roteirista de Beleza Americana, gay assumido e ativista dos direitos dos homossexuais: True Blood e Six Feet Under, ambas da HBO. Apesar de não serem séries gays, possuem um contexto homoerótico incluído em suas tramas. A fantasia True Blood, baseada nos livros de Charlaine Harris, conta a história de vampiros que resolvem aparecer para a sociedade, após a criação de um sangue sintético vendido em vários lugares, fazendo com que eles não ataquem mais os humanos para se alimentarem. As pessoas tem ainda muito preconceito com eles, mas convivem até que pacificamente com os humanos. Como se pode observar, uma metáfora para o preconceito sofrido pelos gays ou negros, principalmente pelos primeiros. Esse fato é constatado no desenrolar da série, como alusões à permissão do casamento de humanos com vampiros ou a luta travada entre a Igreja e os sanguessugas, onde os religiosos consideram eles como seres abomináveis. Sabemos que na vida real há uma grande dificuldade em conceder a união matrimonial para pessoas do mesmo sexo, principalmente por causa da religião e isso é bem visível nessa série, que faz um estrondoso sucesso e já garantiu a sua terceira temporada. Posso destacar na série o personagem Lafayette, que em determinado episódio sofre preconceito por ser gay no bar em que trabalha, mas revida o ataque furiosamente.

À Sete Palmos foi uma série de enorme sucesso, figurando na lista das preferidas de milhares de pessoas, devido a sua alta qualidade. A homofobia também é muito retratada nesse seriado, principalmente por causa do personagem David Fisher, interpretado por Michael C. Hall (Atualmente, o psicopata Dexter), filho mais velho da família que resolve se assumir gay. Dificuldades na relação entre David e seu namorado Keith são frequentes no seriado, assim como o preconceito sofrido por ele e por outros na mesma situação, em determinados episódios. Sem contar os conflitos com a Igreja, já que David é um religioso também. Infelizmente, À Sete Palmos terminou com 5 temporadas, todas de altíssima qualidade e deixando saudades. As religiões em geral são homofóbicas, com destaque para a Protestante e a Islâmica, devido a seus próprios preceitos religiosos. Em alguns lugares, o casamento gay já existe, assim como em algumas pequenas igrejas evangélicas daqui do Brasil.
Como se pode notar, as séries televisivas não têm medo de retratar temas polêmicos e esses foram apenas alguns deles, já que existem inúmeros outros. Não se trata apenas de uma ficção, mas de programas que transferem fatos da realidade para a telinha da TV, não se preocupando com a censura de alguns ou com as críticas que possam sofrer. Não se prendem, portanto, ao comum, onde os roteiristas e criadores preferem ir além do socialmente aceito e criar algo realmente que se possa debater. Mais um motivo para você se tornar um fanático por seriados!








Ibertson,
Excelente texto.
Boa pesquisa, excelentes imagens, texto coerente e bem redigido.
PARABÉNS!
É ótimo fazer parte de uma equipe que produz tanto e tão bem como essa do NaTV.
Grande abraço
Obrigado, Leandro.
Modifiquei bastante o texto original para deixá-lo melhor. Que bom que gostou do texto. Também é bom fazer parte de uma equipe tão criativa como a do Blog na Tv.
Abraço!
Meu!! Como vocês esqueceram de falar de Eutanásia sem lembrar da moça com Cancer de mama em Nip/Tuck??
Teve também o gato da Angela que o Dwight aplicou a Eutanasia em THE OFFICE, mas acho que nao vem ao caso né…rs
Mas essa do Câncer de Mama de Nip/Tuck foi aquela do episódio polêmico, que ela extirpa o seio e tal? Se for, acho que não cabia bem para a Eutanásia.
Em relação ao gato, realmente não ficaria legal hehehe
Ibertson lembrando depois ele tá falando de outra personagem Megan Ohara na primeira temporada. Mas acho que não se enquadrava bem, o caso da Megan tá mais pra suicídio assistido do que eutanásia.
Ibertson,
Vale lembrar que em Big Love, não apenas a poligamia é retratada como também a pedofilia.
E em A Sete Palmos, foram tantos os temas polêmicos que fica difícil lembrar de todos. Além do homosexualismo/homofobia, havia também drogas e aborto.
Grande abraço!
Foi bom você lembrar Natália. Realmente a série fala sobre pedofilia também.
Em relação a "À Sete palmos", realmente fica difícil tratar de todos os temas da série, por isso escolhi um mais evidente como a homofobia.
Abraço!
Pessoal, bom post, mas apenas uma observação! Aqui no Brasil a prostituição não é ilegal. O que não pode fazer é explorá-la (bordéis, por exemplo), mas uma mulher não comete crime se estiver fazendo isso.
pecado pecado pecado