Eu já disse em outras reviews que deve ser difícil conviver 24 horas com Daniel, especialmente Lewicki. Afinal, ele é um assistente. E como moram na mesma casa, sua função acaba indo além do esperado. A cena inicial em que ele se rebela pelas más condições de trabalho, pela falta de atenção do professor, demonstra o quanto Daniel consegue ser distante e insensível.
Que alucinação foi aquela do militar que não podia se identificar? Ri muito. Como sempre faço quando surgem suas alucinações. É o ponto forte da série pra mim. A reação de Daniel foi ótima, afinal até ele conseguiu perceber que aquilo não podia ser real. Gostei do código dentro de um texto do jornal (mais especificamente na seção de cartas dos leitores).
Tem um detalhe que eu só notei nesse episódio: Daniel tem uma certa distância, talvez resistência à internet e novas tecnologias. Claro que o fato dele não usar mp3 e sim fita cassete já havia despertado a minha atenção no primeiro episódio. Achei que era só uma mania dele. Mas eu ainda não tinha reparado o quanto ele repudia a tecnologia. “Talvez nem tenha computador. Talvez seja igual a mim. Algumas pessoas gostam de sentir o jornal nas mãos.”
Já comentei também que Perception inova apenas na esquizofrenia do personagem principal. Todo o resto é uma repetição do gênero. Existem e existiram dezenas de episódios como esse em séries de todas as décadas. Mas é a forma louca, excêntrica e alucinante (ou seria alucinógena?) que Daniel tem na resolução dos casos que a difere das séries-irmãs.
Quando vi que o episódio envolvia cartas com um produto tóxico me lembrei do antrax. No episódio a substância utilizada é o sarin.
Eu amei a ideia de colocar a segunda vítima de sarin, em coma, num tomógrafo e fazer uma série de perguntas. O simples fato dele responder através do “pensamento”, seja visualizando uma jogada de beisebol, seja cantando mentalmente uma canção, foi extraordinário!
Pela primeira vez Daniel reconhece que Natalie, a alucinação, é “convocada” por ele. Legal que ele tenha consciência de que seu desejo de ver e conversar com ela a faça surgir. O que novamente sugere que ele a procura para que possa juntar as informações que estão embaralhadas em sua cabeça. É uma forma de separar as peças do puzzle, para poder formar a imagem pelas laterais.
Gostei da forma como Daniel encerra a questão com Lewicki: demonstra, através de uma atitude simples e gentil, que se importa com o auxiliar, sem a necessidade de palavras tolas e fúteis. Afinal ele não é tão insensível assim.











