
Consagrada pelo Emmy como melhor série do ano passado, Homeland está de volta com todos os elementos que a tornam impossível de não se gostar. Protagonistas instigantes, uma história que sai da previsibilidade e uma temática atual – sem ser chata.
Durante o hiato, escrevi reviews sobre The Newsroom, que nunca perdia uma chance de fazer um discursinho de auto ajuda e patriotismo, dizendo o quanto os americanos são burros e etc, tudo do jeito mais pedante possível. Isso me lembrou o quanto eu tenho medo de questões politizadas, que sempre correm o risco de se perder em lições de moral. E, embora essa tenha sido apenas a premiere dessa segunda temporada, confio cegamente que não vamos ver isso por aqui. Até por que, Carrie conta com um carisma que segura qualquer tipo de enredo.
Depois daquelas cenas de sofrimento da finale, temos agora uma ex agente calma, que cuida de plantas e tem desenhos coloridos em seu quarto. Nada daqueles esquemas meticulosos, tentando ligar desconfianças e suspeitas. Chegou a ser estranho vê-la nessa versão tão pacífica, sem aquele olhar intenso. Acho que me acostumei com a profissional ligada o tempo todo, sem nunca perder de vista seu grande objetivo. Jamais imaginaria essa pessoa dando aulas ou cozinhando para a família. E, sinceramente, acho que nem ela. Talvez por isso, tenha sido tão fácil entender por que não relutou em ajudar a CIA no momento em que foi chamada.
À primeira vista, até poderíamos achar forçado que ela estivesse de volta ‘ao trabalho’ desse jeito meio torto. Contudo, pensando em sua dedicação e inteligência, faz sentido que sua recruta exigisse sua presença, sem confiar em mais ninguém. Falem o que quiser, mas apesar da bipolaridade, essa é uma mulher competente, que sabe o que está fazendo. Só não esperava vê-la viajando tão cedo e, principalmente ficando em Beirut.
Na verdade, eu não esperava essa velocidade em outras questões também, em especial em relação a Brody. Quando foi que Dana deixou de ser tão detestável mesmo? Juro que não lembrava que sua mãe fosse mais difícil de aguentar do que a filha. A reação de Jessica à religião do militar foi mais vergonhosa do que eu esperava. Talvez os aspectos culturais expliquem, mas achei de um exagero só. É como se a possibilidade de poder tivesse subido a sua cabeça. Não é apenas o fato de ter virado muçulmano, mas o risco que passa a correr a partir disso.

Me surpreendi também com a doçura (não encontro outra palavra) da reação de Nick, ao enterrar a bíblia. Na hora, imaginei que estivesse decidido a deixar a fé de lado, para cumprir seus objetivos. No entanto, quando explicou por que estava fazendo aquilo, fiquei mais confusa sobre o que realmente se passa em sua cabeça. Será que essa é mesmo uma religião que te prende de tal maneira? E o quanto isso pode ser prejudicial?
Brody não é um terrorista. Ele tentou seguir esse caminho na temporada passada, mas parece arrependido e disposto a lutar pelo que acredita de outra maneira. A questão é que não vai conseguir se desvencilhar de Abu Nazir. A tal jornalista deixou muito claro que alguns objetivos precisam e vão ser cumpridos. Senti até um tom de máfia naquelas declarações dela. Fico pensando se os episódios não vão acabar retratando algo assim. A tentativa do congressista em deixar o passado de lado e realmente tentar mudar alguma coisa, mas sem estar à sombra de ninguém. Sem seguir ordens, sem precisar se torturar com a morte de inocentes.
E é daí que parte também minha teoria – possivelmente furada, eu sei – de que seu relacionamento com Carrie pode ser retomado. Não sei, desde a estreia, imagino que ele possa mudar de lado, ou pelo menos se juntar à agente de alguma maneira. Algo como fazer um jogo duplo. Até por que, poder de convencimento nós já sabemos que ela possui. Tanto quanto uma vocação inevitável para saber como virar o jogo.
Em algum momento das cenas iniciais, o pai dela comentou sobre o possível exagero de remédios, e realmente senti que ela só ficou viva de verdade quando estava na rua, sendo perseguida. Mais do que sua preocupação com a América, tudo indica que precisa dessa adrenalina, de estar no meio dos conflitos e fazer alguma coisa. Adorei vê-la despistando o homem que a seguia, deu um gostinho de vitória mais do que merecido. Depois de tudo que passou, nada mais justo do que deixar de se sentir humilhada por tudo que a CIA deve ter lhe causado. Agora, o que acontece a partir dessa ousadia? Se já é difícil inspirar confiança quando obedece, o que dizer desse arroubo de coragem?

Confesso que estou completamente sem saber o que vai acontecer a partir daqui. Como comentei, não esperava vê-la tão longe de casa já na premiere. Acreditei que fossem explorar sua vida pacata por mais um tempo, e fico feliz que não tenhamos nenhuma enrolação. Aumenta ainda mais meu amor cego pelo enredo.
Não sei se vamos ter uma temporada com a mesma qualidade constante da anterior, mas acredito que sim. Não lembro de ter reclamado de nada no ano passado, tudo foi coerente e caminhou num ritmo respeitável, sem pular etapas ou apelar para subtramas sem sentido. Como acredito que essa é uma série com potencial para durar muito tempo, os responsáveis pela história vão precisar de um bom equilíbrio para não ficar arrastada ou qualquer coisa assim. O lado bom é que começaram muito bem.








Como sempre adorei a sua review. Também acho que há uma possibilidade de Brody se aproximar de Carrie e acabar ajudando-a em sua luta, mas acredito que inicialmente ele se aproximará dela para descobrir informações e o que a CIA sabe sobre ele. Ahh, sempre achei a Jessica chata, não é uma pessoa ruim, mas bem que tinha umas atitudes hipocritas desde a temporada passada. E Dana, eu gosto da personagem desde a temporada passada, tem aquilo de adolescente chato rebelde, mas sempre achei que ela tinha uma ótima percepção de situação, uma visão diferente das coisas, e um vínculo forte com o pai, que foi mostrado nesse episódio ( na família Brody, ela me parece o unico ser realmente pensante além do pai).
Fui assistir ao 3º episódio agora e me dei conta que não tinha respondido os comentários, Cintiana. Peço desculpas!
Eu ainda tenho dificuldade em encarar Brody como o lado 'do mal'. Acho que ainda existe um certo caráter nele que me impede. Gostaria de vê-lo ao lado de Carrie, mas sua teoria tem lógica tbm. Ele está meio cego por Nazir, pode tentar manipula-la de novo.
Não lembrava que Jessica era tão insuportavelzinha, viu? Nunca gostei mutto de Dana, mas tbm tenho a impressão de que vai ser ainda mais importante nessa temporada.
Pensei que só eu tinha achado a volta de Carrie ao olho do furacão meio rápida demais. Pra quem teve um surto como aqueles, fez tratamento de choque e foi expulsa, a CIA correu pra ela muito rápido. A mesma coisa com o Brody, que mal virou deputado e já vai tentar a vice-presidência do país! Mas o episódio inteiro valeu pela cena da fuga da Carrie e seu sorriso que justificou o título. Deu pra sentir a alegria incontida que ela teve ao voltar à ativa. Claire Danes dá show.
É, Caroline, tudo foi bastante rápido, ainda bem que pelo menos foi bem conduzido. Acho que isso fez uma grande diferença aqui. Mesmo com pouco tempo, a decisão de chamar Carrie de voltas não pareceu forçada.
E Claire Danes convence como ninguém. As cenas dela são perfeitas, impossível não se apegar cada vez mais à personagem.
O melhor de Homeland é que eu não tenho ideia do que vai acontecer. E isso porque eu fico longe dos spoilers, coisa que não consigo fazer com Dexter. Adorei a cena em que Carrie volta à ativa, o que mostrou que ela está viva de novo.
Mesmo com spoilers, Homeland consegue fugir do lugar comum. A maioria das séries enrola os acontecimentos o quanto pode, mas aqui isso não acontece. Carrie é a alma da série e nunca fica estagnada numa situação só. Essa temporada tem tudo pra ser perfeita. (o que me faz frustrar ainda mais com Dexter, btw)
Também achei que as coisas também voltaram um pouco rápidas demais, mas parece que esse salto temporal que nos pega de surpresa é a moda da season 2012/2013: Homeland, Revenge, Grey's (a única que não conseguiu fazer isso direito, diga-se de passagem)…
Muitas coisas aconteceram nesses "dois meses" que passamos longe dos personagens. Como você disse, até Dana deixou de ser odiável. Assim como você, achei o escândalo de Jessica ao descobrir a religião do marido um pouco over demais, mas todo o resto foi lindo.
Foi lindo acabarem daquele jeito "singelo" e "doce" com Nick enterrando o Alcorão com a ajuda da filha.
E Carrie… o que dizer do "sorriso" que dá nome ao episódio? Claire Danes merece um Emmy por episódio, e essa é a verdade.
Lembra da moda da temporada passada de criar mil sonhos? Então, parece que agora a passagem de tempo é que virou tendência. Ainda bem que Homeland é linda e sabe fazer isso bem.
Não esperava gostar de Dana, mas meu desamor por Jessica tornou mais fácil. Aquele escândalo dela foi bem injustificado, estava mais preocupado com a ~sociedade do que com qqr outra coisa. Toda cara de hipocrisia.
Claire está cada dia melhor, sonho em vê-la em Breaking Bad, pra fechar o Emmy de uma vez.
Assistam o segundo episódio e tudo q escreveram/disseram virá por água a baixo…
Os roteiristas já falaram que a relação Carrie/Brody vai ser um dos pontos fortes dessa temporada. Vi uma entrevista do Damian em que ele disse que Brody se aproxima dela pq precisa dela ao msm tempo em que quer tirar informações, pra saber o que a CIA já descobriu sobre ele. E concordo com a ideia de que ele possa querer mudar de lado futuramente, e meio que fazer um jogo duplo, e que ela seria de grande ajuda pra ele nesse sentido.
Eu tento não ler muita coisa sobre o que vai acontecer, Karen. Acho que perde a graça saber de tudo antecipadamente e não poder criar teorias.
Gosto da ideia de jogo duplo pq Brody tem carisma demais, é difícil acreditar na ideia de 'vilão', no sentido puro do conceito. Ele merece ser mais do que apenas alguém manipulado por Nazir.
Concordo. Não dá pra gt não torcer por ele tb, ainda mais depois de tudo que ele passou. No fim das contas, ele é uma vítima dessa guerra. Eu não consigo ter raiva dele (com exceção de qd ele ligou pro Estes pra dedurar a Carrie.. aaaah vontade de matar ele ! hahaha). Adoro esses personagens complexos em que não dá pra vc classificar como bom ou mau, e isso funciona mtu bem nele. Até a Carrie.. msm dando pra classificar ela como boa, a gt nunca sabe o que pode vir dela, do que ela é capaz pra seguir o que acredita.
Me irrita um pouco de ver como ele é manipulado, e Nazir faz isso mtu bem. Mas acho que de repente a longo prazo a Carrie pode quebrar essas amarras, fazer ele perceber que não vale a pena. Mas pra saber só aguardando os próximos episódios msm.