Sim, dei uma pausa com a série. Aparentemente, essa pausa foi mais do que necessária. Me ajudou a recuperar aquele olhar, aquele amor que sempre senti por Grey’s Anatomy, e que estava um pouco adormecido. Não por episódios ruins, muito pelo contrário. Como já escrevi antes, essa temporada estava sem uma grande história. Momentos bons para os personagens apareceram aqui e ali, mas aquela trama que desenha a temporada e que nos acostumou nos últimos anos, não estava presente. Sei que é efeito da renovação dos atores e da série, no fim dessa temporada. O que por um lado ajudou a trama de Shonda Rhimes a ganhar mais um pouco de fôlego e mostrar que pode ir além do eventual nono ano… #Será?
A gente sempre acha que sabe quem o outro é, o que sente e o que vai fazer. Algumas vezes acertamos, afinal, nem todo mundo deixa de ser previsível em determinadas situações. Sabemos como alguém pode se comportar diante de um conflito, de uma decisão importante ou eventual mudança. Alguns fogem, outros encaram e mais alguns ficam parados, em choque, e não fazem nada.
O nosso maior problema é limitar as pessoas, limitar quem está ao nosso redor. Parece que um rótulo, uma aparência vai prender “quem aquela pessoa é”, por toda a eternidade e nunca mais veremos de outra maneira. Até que as coisas mudam. As situações mudam e, os previsíveis, já não são tão previsíveis assim.
Cristina e Owen têm um problema. Sabíamos sobre isso desde o início. Desde que casaram, para ser mais exato. Nunca considerei o matrimônio entre os dois como a decisão mais acertada do mundo. Ele não era o homem da vida dela e ela, só uma válvula de escape para os pesadelos traumáticos dele. Depois de casados, a vida a dois teve altos e baixos. Cristina e seu período dark and twisty. Owen e toda a luta para ter de volta a mulher que amava, mas da maneira que conheceu: destemida e unstoppable. Mas as pessoas mudam. Cristina estava frágil e tudo o que ela precisava era desistir. Ser outra pessoa, querer ser outra pessoa. Isso ela fez e não conseguiu. Afinal, como se desiste de ser quem você é e tenta assumir uma nova identidade? Após o apoio de alguém inimaginável, tivemos nossa yang de volta. Mas e Owen? Ele virou chefe, enfrentou momentos complicados e descobriu que seria pai: tudo o que qualquer homem poderia querer da vida, certo? Certo! Mas Yang não é esse tipo de mulher. Eu sei disso, sempre soube. Acompanho Grey’s Anatomy desde o início e já sabia que ela não queria ser mãe. Na primeira temporada, se não fosse o aborto espontâneo, com toda certeza ela teria abortado o filho, assim como fez agora. E, apesar de difícil, sei que Burke estaria ao lado dela. Não que ele não tivesse um lado paternal (acredito que sim), mas porque antes de qualquer coisa, ele era “a pessoa dela”. Foi complicado para Cristina aceitar isso, aceitar que alguém, tão de repente, entrou na vida dele e fazia mais parte do que qualquer outra. Por Burke, Cristina mudou e aceitou coisas inimagináveis (Olá, Mama Burke, por exemplo). Mas ela amava aquele homem e tentou ser menos do que era por ele.
Owen não é Burke, mas deu segurança para Cristina. Mas a que custo? Ele ficou do lado da mulher que ama, segurou sua mão enquanto ela abortava e tudo isso porque ama. E porque pensava que poderia mudar quem ela é. Que o tempo, que em cinco anos, quem sabe, ela iria querer ser mãe, afinal, Meredith Grey é. Ninguém nunca entendeu que as duas são amigas porque são o oposto uma da outra? Se entendem, amam tequila, mas Cristina NUNCA trocaria um exame de um paciente porque ficou se sentiu na obrigação, devido ao passado amoroso da mãe e do marido da paciente em questão. Yang nunca fugiria com a filha que pretende adotar. Mas mesmo assim, acobertou a amiga. Elas não tomariam as mesmas decisões em tudo, mas se entendem. Isso faz com que Meredith Grey seja “a pessoa” de Cristina Yang e vice versa. É uma amizade, é um companheirismo que vai além do amor. É o respeito.
Durante todo esse episódio, só queria saber o que estava sendo dito e resolvido naquela terapia de casal. Não me importaria se, Shonda, estivesse no clima de fazer uma homenagem a In Treatment. A série é fantástica e Sandra Oh estava dando (como sempre), um show. Mas o limite entre o que sabemos sobre as pessoas e quem elas são vai além daquele consultório. Está presente nos corredores daquele hospital, nas salas de cirurgia, no pronto de socorro. No On Call Room.
Callie Torres nunca foi amiga de Meredith, eram colegas de hospital, mas amigas, elas nunca foram. Eu, por exemplo, nunca me importei e nunca quis um laço entre as duas, não julgava importante, mas será que realmente não é? Depois de ver esse episódio, onde elas trabalharam juntas, gostei do resultado. Meredith pensou “outside the box” e Torres foi uma boa mentora. Apesar de existir ali um pré-julgamento de fraqueza sobre a filha de Grey, as duas descobriram que o pré-julgamento que faziam uma da outra, não permitia ver além do que elas realmente são.
Todos nos sabemos que Karev não liga para os outros, mas será que isso não significa que ele decidiu cuidar de quem ainda não pode machucar, mas ser machucado, ser indefeso? Alex ser da pediatria é algo que Rhimes trabalha desde a terceira temporada, quando quase rolou algo entre Addison e ele. Ao passar das temporadas isso foi ficando mais claro, assim como a decepção do moço com o mundo. Ele sofreu com Ava, a louca. Izzie, a transtornada e com ele mesmo, por ser um idiota e se incomodar bastante com isso. Alex, não é mais aquele cara estupido. Sim, continua sendo um idiota, mas o que mudou é que agora, ele sabe. Alex esta focado, sabe cuidar dos pacientes e isso faz toda a diferença de quem ele julgava ser algumas temporadas atrás.
Derek, Lexie e a irmã do McDreamy foi aquela história de superproteção. Ele não queria dar falsas esperanças para a irmã e essa, por sua vez, não queria que o irmão a decepcionasse. Lexie, no meio disso tudo foi a ponte entre os dois. Foi manipulada. Mas vale lembrar que ela é irmã mais nova e que não teve o inicio mais fácil do relacionamento com a irmã mais velha, mas ela é mais do que uma memória fotográfica, é alguém que se importa com os pacientes na medida certa e soube unir os irmãos.
Bailey, ah, Miranda Bailey… Não sei o que andou acontecendo com Shonda Rhimes, mas gostaria de entender tudo o que ela esta fazendo com a personagem. Nunca imaginei que Bailey fosse invadir uma sala de operação daquele jeito. Isso não se parece em nada com a nazista que conhecemos e aprendemos a amar. Tudo aquilo ficou parecendo um desenho animado. Não que a nossa doutora não possa ter uma dose de humor. O grande problema está no modo como estão fazendo. Pode até ser que Sloan esteja certo e ela, Miranda Bailey, se acomodou. Espero, de coração, que nos próximos episódios ela possa sair da zona de conforto e redescobrir quem é. Para a nossa alegria e da série.
O episódio serviu para abrir novas histórias e possibilidades para os últimos episódios desse ano. Como disse na abertura dessa review, Shonda, teve que montar uma temporada sem o grande plano, sem saber como iria terminar. E ao mesmo tempo que foi bom, mostrou o quanto ela ficou sem um rumo definido por um tempo. Agora, bem, agora é ver no que vai dar: Karev e os cuidados com o bebê de sua interna. Cristina e Owen. Meredith e Callie. Lexie e a amizade com Derek… Novas possibilidades para os personagens que já conhecemos há oito temporadas e não deixamos de amar.












Silvestre Mendes em sua melhor forma. Tbm dei um tempo na série e senti saudade, isso me fez perceber o quanto ainda gosto da série, e sua review, de quanto senti falta de saber suas opiniões (:
Owwwwwwwwwww <3. Acho que esse tempo foi a melhor decisão que tomamos. A série voltou a ser sentimental como sempre, ou essa mini-maratona, ajudou um pouco a perceber o quanto amamos Grey's e só estávamos um pouco acostumados com os rumos adotados por Shonda.
Senti falta de comentar e de ler as suas opiniões também! =)
Estamos de volta \o/
Quando crescer, quero escrever igual a você. Palmas lentas…
Até parece, né, senhor Andrew? Espero colocar em dia The Big C, assim poderei desfrutar das suas opiniões sobre essa série <3