Doctor Who – 07×04 – The Power of Three

   

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Você foi o primeiro rosto que esse rosto viu. E está gravada a ferro em meus corações, Amelia Pond. Sempre estará.

Não estou preparado para dizer adeus aos Pond, mas, falando sério, quem está? E para já ir nos preparando para o sofrimento (ou talvez nos fazer sofrer mais e por antecipação), The Power of Three foi lindo, nostálgico e doloroso ao mesmo tempo. Essa primeira metade não foi exatamente sensacional , faltou um pouquinho de esforço, mas os roteiristas de Doctor Who estão com sorte pelo sentimentalismo da despedida dos Pond ser maior do que minha atual vontade de reclamar. Comentei na review do segundo episódio sobre o meu medo de o roteirista de Dinosaurs on a Spaceship também ser o responsável pelo texto de The Power of Three, um episódio que “celebraria” Rory e Amy antes da despedida do casal. E tudo o que Chris Chibnall fez de errado há dois episódios, fez de certo nesse. Ok, não foi um episódio perfeito, mas, como eu já disse: sentimentalismo. A fall finale será exibida em daqui alguns minutos e não estou preparado psicologicamente.

A invasão lenta dos cubos me lembrou muito a era Russell T Davies. Ambos RTD e Moffat tem suas megalomanias particulares, mas enquanto Moffat adora resetar o Universo, RTD era mais “pé no chão” (na medida do possível quando seu personagem principal tem 1200 anos, 2 corações, se regenera e viaja no tempo/espaço à bordo de uma nave com vontade própria) e adorava esse tipo de invasões globais, o que sempre acabava envolvendo a Torchwood. E, acreditem, deu saudade até de Torchwood, mesmo depois daquela quarta temporada lastimável do ano passado. Lembram-se das “bolas” vindas do céu no final da terceira temporada que acabaram sendo as cabeças dos últimos seres humanos da história? Foi isso que os cubos me lembraram. Isso mais a bizarra teoria que li por ai de que Rory é o Mestre e eu já estava sentindo falta até da Martha (mentira).

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Se a intenção era fazer uma homenagem à trajetória dos Pond, parabéns. Celebrou lindamente a vida do casal. A recapitulação do começo foi linda. Ver a vida dupla dos Pond foi lindo, até porque eles eram os únicos que iam pra casa entre uma aventura e outra (pelo menos nessa segunda metade da “vida útil” do casal na série). Mas se às vezes eles chegavam e as coisas na geladeira estavam estragadas, contas acumuladas e vários recados na secretária eletrônica, como nunca perdiam o emprego? Mas enfim, isso é o que menos vem ao caso. O importante é que Amy diz que parece que faz 10 anos que estão viajando com o Doctor, indo e voltando.

Não entendi muito bem no começo, já que ela diz que faz 10 anos para eles, e não para a Terra. Depois percebemos que o trio ficou semanas fora durante o aniversário de casamento dos Pond e ainda assim voltaram antes da festa acabar, e ai nossa mente pode divagar sobre todas as aventuras que os poderosos Três fizeram e que não pudemos acompanhar. Dez anos de aventuras. É mais tempo do que o Doctor jamais passou com alguma companion (pelo menos nessa fase de 2005), o que torna a despedida ainda mais dolorosa para ele. Eles se despediam entre uma viagem e outra, mas nunca definitivamente. Nunca até os anjos tomarem conta de Manhattan.

The Power of Three foi emocionalmente satisfatório, mas é claro que faltou desenvolvimento. As coisas aconteceram rápido demais com explicação de menos. O vilão pareceu bom demais para aparecer tão pouco. Se os roteiros, desde o ano passado, não parecessem tão “aleatórios” e escritos na correria, uma temporada toda (ou pelo menos cinco episódios, como nessa primeira parte da temporada) poderia ser escrita para desenvolver melhor uma história que merecia mais do que 45 minutos corridos. Era só assistir Miracle Day (a 4ª temporada de Torchwood) e aprender com os erros de RTD & rever Children of the Earth (a sensacional 3ª temporada do spin off) e aprender como se conta uma história de invasão global em cinco episódios (a quantidade exata de capítulos dessa primeira metade da sétima temporada).

Episódios com narração no começo e no final (quase) sempre funcionam comigo. Funcionou em A Town Called Mercy, numa coisa meio Edward Mãos de Tesoura, e funcionou com o voice over de Amy aqui também. Mas nem isso salvou o especial de Natal do ano passado, então preciso me lembrar disso toda vez um episódio começar com narração.

Não foi um episódio perfeito, mas foi uma bela homenagem ao trio. Só faltou River Song, mas acho que ela roubaria a cena e tiraria todo o brilho dos “pais”; mesmo ela sendo sensacional, só participou de 11 episódios ao lado de Amy, Rory e do 11º Doutor.

Aquele final tocando Can I Come With You?, tema da Amy, não foi fácil. Murray Gold merece um prêmio por essa trilha.

Todos preparados para a hora do adeus?

Nem eu.

   

Sobre Eduardo Storm

Eduardo Storm é metido a publicitário, cinéfilo desesperado, músico nas horas vagas, leitor assíduo e viciado em séries. De vez em quando (sempre, na verdade) devaneia em seu twitter, só pra descontrair.

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