Doctor Who – 07×02 – Dinosaurs on a Spaceship

   

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Acredito que eu estava secretamente esperando Doctor Who me decepcionar de novo. Vamos combinar que, por mais legal que o plot twist de Asylum of the Daleks tenha sido, não chegou nem perto da magnitude de The Impossible Astronaut. Seria inocência demais esperar que o segundo “telefilme” dessa sétima temporada fosse tão bom quanto Day of the Moon. Dinosaurs on a Spaceship não chegou nem a ser um filler chatinho como The Curse of the Black Spot; foi simplesmente um dos piores episódios da era Moffat – se não o pior. Começou num ritmo frenético que esperei 45 minutos para fazer sentido, mas não fez. E a cada minuto, fazia menos. Acho que, secretamente, meu inconsciente esperava ser decepcionado por Doctor Who em algum ponto dessa temporada mesmo. Só não fazia ideia de que seria tão cedo.

É possível comparar Dinosaurs on a Spaceship com a finale da temporada passada. Sem toda a megalomania herdada de RTD aplicada, é claro (pelo menos não 100%), mas ainda assim confuso e fácil demais. “Covarde” até, como usei para descrever The Wedding of River Song. O mais “triste” é que tinha tudo para ser legal: dinossauros em uma nave! Nefertiti! O pai de Rory/senhor Weasley! Mas foi tudo tão corrido e mal explicado que não teve graça alguma. Então a Tardis consegue “englobar” pessoas, se materializar ao redor delas? E por que Doctor chamou Riddell para a missão? Por que Doctor é amigo dele se ele mata criaturas indefesas? E o mais importante: quem é Riddell? Fiquei tão perdido quanto a Amy.

Por falar em Amy, ela foi a única coisa boa do episódio. E muito boa, por sinal. A companion roubou a cena, foi protagonista, e a cada episódio meu coração dói mais porque seu final está próximo. Sempre gostei da personagem, mas nunca cogitei o fato de realmente sofrer com a sua despedida, assim como sofri com Rose ou Donna. Provavelmente não será na mesma intensidade de Rose e Donna, mas com certeza me fará sentir mais do que a de Martha. Mas será que a sra. Pond realmente chegará a morrer? Moffat disse que nem todo mundo sairá vivo do quinto e último episódio do ano, e um específico diálogo entre Amy e o Doctor nesse episódio me lembrou a preparação para a despedida de Rose.

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Em um dos episódios finais da 2ª temporada, Rose diz que ficaria com o Doctor para sempre e o Lorde do Tempo, desconfiado, olha para o céu e diz que uma tempestade estava se aproximando. Aqui, Doctor diz que Amy estará lá até o fim dela, ao que ela responde “ou vice-versa”, e então os dois se olham de uma maneira desconfortável, ambos realizando a verdade: uma hora ou outra, Amy terá que partir. Isso sempre acontece com as companions. Seja de uma maneira calma ou turbulenta, feliz ou triste, as companions sempre partem, e parece que Amy acabou de perceber isso. Fora que, no final, quando Brian está sentado na porta da Tardis e Rory e Amy olhando para a vastidão do universo, Doctor está com uma cara devastada; parece que sabe de alguma coisa que a gente ainda não sabe.

Me incomodei demais com a calma de Brian Pond Williams. Não explicaram nada direito pra o pai de Rory e de uma hora pra outra ele já estava envolvido na história, emprestando uma pá (really?) e dizendo que adora viajar. Não pirou em nenhum momento. E, pra falar a verdade, seria até legal se tivesse alguém pirando o episódio inteiro. Adicionaria um pouco mais de graça, já que todo o alívio cômico do episódio ficou para os robôs capangas do Filch de Harry Potter (que elenco, heim?), já que o resto do episódio foi péssimo demais pra ter graça.

A presença de todos os personagens convidados foi aleatória demais e deram motivos horrorosamente óbvios para a existência deles no roteiro: “Neffy” só estava ali para ser raptada, Riddell só estava ali para matar dinossauros do mal e Brian só estava ali porque precisavam de duas pessoas com o mesmo código genético para pilotar a nave. Seria legal se tudo isso fosse parte de um grande plano do Doctor, mas não foi isso que aconteceu. Nefertiti simplesmente se convidou para viajar, Doctor chamou Riddell e Brian foi “raptado” sem querer. E ainda assim, convenientemente, todos acabaram sendo essenciais para a missão. Isso me incomodou demais. Desde quando as coisas em Doctor Who são fáceis desse jeito?

O roteiro de Chris Chibnall foi bem fraco para os padrões da série, até mesmo para seu próprio padrão; o roteirista escreveu os episódios 42, da 3ª temporada, e The Hungry Earth e Cold Blood da 5ª. Não foram episódios espetaculares, mas também não foram ruins. Ficou até com medo por Chibnall ser o responsável pelo quarto “telefilme” dessa temporada, The Power of Three, que aparentemente contará as viagens de Amy e Rory como companions do Doctor do ponto de vista do próprio casal, um episódio especial para “celebrar” a partida dos dois na semana seguinte.

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Como se não bastasse o episódio ser fraco, foi repleto de piadas sexuais forçadas entre Nefertiti e Riddell. Acho esse tipo de coisa completamente inadequada para a série. O Doctor de Moffat é muito mais sexualizado do que o de Russell T Davies, e sempre piadinhas de conotação sexual são feitas. Não é puritanismo, nem questão de que crianças estão assistindo (não é nada explícito e nenhuma criança vai entender mesmo), mas meio que “quebra” o personagem. O personagem de Matt Smith já é “estranho” e bipolar demais sem isso, não acho legal criar essa imagem. Nem para o personagem nem para a série. Foi “legal” mostrarem Nefertiti com Riddell, já que ela desapareceu e foi considerada morta em 1334 a.C., ano que aparece no começo do episódio, mas mostrar ela saindo da cabana do caçador e dando continuidade à piadinha do tamanho da arma não foi exatamente necessário. Mas é apenas minha opinião, eu não concordo com a sexualização da série e ninguém é obrigado a concordar comigo. O verdadeiro problema do episódio não foi esse.

Além de transformar o Doctor em um ~garanhão espacial~, a fase Moffat ainda deu ao personagem uma bipolaridade constante, coisa que só acontecia com os outros (pelo menos com os de Eccleston e Tennant) quando a coisa estava feia de verdade. Desde a temporada passada as atitudes dessa 11ª encarnação são duvidosas, mas tudo se intensificou quando Doctor abandonou Filch para morrer em uma nave fadada a explodir. Compararam essa atitude com a do 10º em The Family of Blood, quando o Doctor puniu a “Família de Sangue” por seus crimes, mas lembrem-se de que ele não matou ninguém, apenas deu-lhes um futuro de ~sofrimento eterno~. E isso foi motivo de um escândalo de proporções megalomaníacas à la Russell T Davies na internet.

Não sei se sou eu que não tenho paciência pra certos tipos de coisa ou se o pessoal está overreacting fortemente. Assim como eu, muita gente também não gostou do episódio por todos os motivos que citei por aqui e com certeza mais alguns. Mas ai Moffat exclui a conta do twitter, Mark Gatiss (roteirista de Doctor Who e Sherlock e amigo de Moffat) também, e whovians estão em guerra, difamando os difamadores do episódio. Sério que a coisa foi tão crítica assim? Porque eu não vi nada mais que um episódio chato, sem sal, confuso, gratuito e sem explicações. Não é motivo pra sair ofendendo ninguém. Que eu esperava mais de Moffat isso já ficou claro, mas não apaga as coisas sensacionais que ele já fez.

   

Sobre Eduardo Storm

Eduardo Storm é metido a publicitário, cinéfilo desesperado, músico nas horas vagas, leitor assíduo e viciado em séries. De vez em quando (sempre, na verdade) devaneia em seu twitter, só pra descontrair.

Comentários

  1. Concordo plenamente com você. Estive vendo tantas pessoas elogiarem esse episódio e me perguntava "Será que assistiram ao mesmo episódio que eu?". A presença do pai do Rory, por exemplo: tinha tudo para ser uma das melhores coisas, mas foi tão vago. É estranho perceber que a coisa que mais me marcou no episódio foi a fala da Amy "I'm Rory's queen".

    Também não gosto muito desse Doctor. Claro que o personagem sempre teve um lado sombrio, mas só em lembrarmos quantas vezes o 10 quase morreu por dar aos "vilões" um outra chance de se arrependerem, é horrível ver essa atitude.
    E outra coisa sobre esse Doctor, apesar de ser tão sexualizado, ele é infantilizado demais. A piada da lista de natal, por exemplo, só irritou.

    Ademais, parabéns pela rewieu. Foi muito bem escrita.

    • dudustorm disse:

      Obrigado, Isa! A review demorou pra sair porque minha semana foi meio conturbada, e toda vez que eu tentava começar a escrever, não saia nada. Era tanta coisa pra falar que eu não conseguia gerar um argumento sólido, haha. Fui ler umas reviews de outros sites e estava todo mundo cultuando o episódio. Pensei a mesma coisa que você: "Será que assistiram ao mesmo episódio que eu?". Achei fraquinho DEMAIS. Doctor Who merece e pode fazer MUITO MAIS que isso.
      Esse Doctor não é bipolar. É poli. Um crianção sexualizado que carrega todo o peso dos 900 anos nas costas e tem rancor do mundo e faz brincadeiras bestas enquanto intercala a cara de sofrimento. Não dá pra entender. Não gosto disso. Russell T Davies soube manejar a personalidade do personagem muito melhor que Moffatt.
      Obrigado pelo comentário!

  2. primeiro o Mark Gatiss não exclui o twitter como andam dizendo, o Moffat excluiu, porque estava atrapalhando na sua vida pessoal e decidiu excluir, as pessoas estavam xingando a menina que fez a Amelia Pond na 5ª Temporada, ai já começam a dizer que o Moffat deletou o twitter pelo mesmo motivo, e depois o Gatiss, e essa 'guerra", é porque tem alguns fãs que já falam mal antes de ver o episódio porque é do Moffat ou porque não tem o Tennant, e ai só assistem o episódio para falar mal ou falar que a história é desnecessária, e são sempre as mesmas pessoas, em todos os episódios. Essa semana tinha gente falando mal da equipe de legenda porque demoram muito, isso porque lançam a legenda em 20 horas após sair o episódio.

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