
Acredito que eu estava secretamente esperando Doctor Who me decepcionar de novo. Vamos combinar que, por mais legal que o plot twist de Asylum of the Daleks tenha sido, não chegou nem perto da magnitude de The Impossible Astronaut. Seria inocência demais esperar que o segundo “telefilme” dessa sétima temporada fosse tão bom quanto Day of the Moon. Dinosaurs on a Spaceship não chegou nem a ser um filler chatinho como The Curse of the Black Spot; foi simplesmente um dos piores episódios da era Moffat – se não o pior. Começou num ritmo frenético que esperei 45 minutos para fazer sentido, mas não fez. E a cada minuto, fazia menos. Acho que, secretamente, meu inconsciente esperava ser decepcionado por Doctor Who em algum ponto dessa temporada mesmo. Só não fazia ideia de que seria tão cedo.
É possível comparar Dinosaurs on a Spaceship com a finale da temporada passada. Sem toda a megalomania herdada de RTD aplicada, é claro (pelo menos não 100%), mas ainda assim confuso e fácil demais. “Covarde” até, como usei para descrever The Wedding of River Song. O mais “triste” é que tinha tudo para ser legal: dinossauros em uma nave! Nefertiti! O pai de Rory/senhor Weasley! Mas foi tudo tão corrido e mal explicado que não teve graça alguma. Então a Tardis consegue “englobar” pessoas, se materializar ao redor delas? E por que Doctor chamou Riddell para a missão? Por que Doctor é amigo dele se ele mata criaturas indefesas? E o mais importante: quem é Riddell? Fiquei tão perdido quanto a Amy.
Por falar em Amy, ela foi a única coisa boa do episódio. E muito boa, por sinal. A companion roubou a cena, foi protagonista, e a cada episódio meu coração dói mais porque seu final está próximo. Sempre gostei da personagem, mas nunca cogitei o fato de realmente sofrer com a sua despedida, assim como sofri com Rose ou Donna. Provavelmente não será na mesma intensidade de Rose e Donna, mas com certeza me fará sentir mais do que a de Martha. Mas será que a sra. Pond realmente chegará a morrer? Moffat disse que nem todo mundo sairá vivo do quinto e último episódio do ano, e um específico diálogo entre Amy e o Doctor nesse episódio me lembrou a preparação para a despedida de Rose.

Em um dos episódios finais da 2ª temporada, Rose diz que ficaria com o Doctor para sempre e o Lorde do Tempo, desconfiado, olha para o céu e diz que uma tempestade estava se aproximando. Aqui, Doctor diz que Amy estará lá até o fim dela, ao que ela responde “ou vice-versa”, e então os dois se olham de uma maneira desconfortável, ambos realizando a verdade: uma hora ou outra, Amy terá que partir. Isso sempre acontece com as companions. Seja de uma maneira calma ou turbulenta, feliz ou triste, as companions sempre partem, e parece que Amy acabou de perceber isso. Fora que, no final, quando Brian está sentado na porta da Tardis e Rory e Amy olhando para a vastidão do universo, Doctor está com uma cara devastada; parece que sabe de alguma coisa que a gente ainda não sabe.
Me incomodei demais com a calma de Brian Pond Williams. Não explicaram nada direito pra o pai de Rory e de uma hora pra outra ele já estava envolvido na história, emprestando uma pá (really?) e dizendo que adora viajar. Não pirou em nenhum momento. E, pra falar a verdade, seria até legal se tivesse alguém pirando o episódio inteiro. Adicionaria um pouco mais de graça, já que todo o alívio cômico do episódio ficou para os robôs capangas do Filch de Harry Potter (que elenco, heim?), já que o resto do episódio foi péssimo demais pra ter graça.
A presença de todos os personagens convidados foi aleatória demais e deram motivos horrorosamente óbvios para a existência deles no roteiro: “Neffy” só estava ali para ser raptada, Riddell só estava ali para matar dinossauros do mal e Brian só estava ali porque precisavam de duas pessoas com o mesmo código genético para pilotar a nave. Seria legal se tudo isso fosse parte de um grande plano do Doctor, mas não foi isso que aconteceu. Nefertiti simplesmente se convidou para viajar, Doctor chamou Riddell e Brian foi “raptado” sem querer. E ainda assim, convenientemente, todos acabaram sendo essenciais para a missão. Isso me incomodou demais. Desde quando as coisas em Doctor Who são fáceis desse jeito?
O roteiro de Chris Chibnall foi bem fraco para os padrões da série, até mesmo para seu próprio padrão; o roteirista escreveu os episódios 42, da 3ª temporada, e The Hungry Earth e Cold Blood da 5ª. Não foram episódios espetaculares, mas também não foram ruins. Ficou até com medo por Chibnall ser o responsável pelo quarto “telefilme” dessa temporada, The Power of Three, que aparentemente contará as viagens de Amy e Rory como companions do Doctor do ponto de vista do próprio casal, um episódio especial para “celebrar” a partida dos dois na semana seguinte.

Como se não bastasse o episódio ser fraco, foi repleto de piadas sexuais forçadas entre Nefertiti e Riddell. Acho esse tipo de coisa completamente inadequada para a série. O Doctor de Moffat é muito mais sexualizado do que o de Russell T Davies, e sempre piadinhas de conotação sexual são feitas. Não é puritanismo, nem questão de que crianças estão assistindo (não é nada explícito e nenhuma criança vai entender mesmo), mas meio que “quebra” o personagem. O personagem de Matt Smith já é “estranho” e bipolar demais sem isso, não acho legal criar essa imagem. Nem para o personagem nem para a série. Foi “legal” mostrarem Nefertiti com Riddell, já que ela desapareceu e foi considerada morta em 1334 a.C., ano que aparece no começo do episódio, mas mostrar ela saindo da cabana do caçador e dando continuidade à piadinha do tamanho da arma não foi exatamente necessário. Mas é apenas minha opinião, eu não concordo com a sexualização da série e ninguém é obrigado a concordar comigo. O verdadeiro problema do episódio não foi esse.
Além de transformar o Doctor em um ~garanhão espacial~, a fase Moffat ainda deu ao personagem uma bipolaridade constante, coisa que só acontecia com os outros (pelo menos com os de Eccleston e Tennant) quando a coisa estava feia de verdade. Desde a temporada passada as atitudes dessa 11ª encarnação são duvidosas, mas tudo se intensificou quando Doctor abandonou Filch para morrer em uma nave fadada a explodir. Compararam essa atitude com a do 10º em The Family of Blood, quando o Doctor puniu a “Família de Sangue” por seus crimes, mas lembrem-se de que ele não matou ninguém, apenas deu-lhes um futuro de ~sofrimento eterno~. E isso foi motivo de um escândalo de proporções megalomaníacas à la Russell T Davies na internet.
Não sei se sou eu que não tenho paciência pra certos tipos de coisa ou se o pessoal está overreacting fortemente. Assim como eu, muita gente também não gostou do episódio por todos os motivos que citei por aqui e com certeza mais alguns. Mas ai Moffat exclui a conta do twitter, Mark Gatiss (roteirista de Doctor Who e Sherlock e amigo de Moffat) também, e whovians estão em guerra, difamando os difamadores do episódio. Sério que a coisa foi tão crítica assim? Porque eu não vi nada mais que um episódio chato, sem sal, confuso, gratuito e sem explicações. Não é motivo pra sair ofendendo ninguém. Que eu esperava mais de Moffat isso já ficou claro, mas não apaga as coisas sensacionais que ele já fez.








Concordo plenamente com você. Estive vendo tantas pessoas elogiarem esse episódio e me perguntava "Será que assistiram ao mesmo episódio que eu?". A presença do pai do Rory, por exemplo: tinha tudo para ser uma das melhores coisas, mas foi tão vago. É estranho perceber que a coisa que mais me marcou no episódio foi a fala da Amy "I'm Rory's queen".
Também não gosto muito desse Doctor. Claro que o personagem sempre teve um lado sombrio, mas só em lembrarmos quantas vezes o 10 quase morreu por dar aos "vilões" um outra chance de se arrependerem, é horrível ver essa atitude.
E outra coisa sobre esse Doctor, apesar de ser tão sexualizado, ele é infantilizado demais. A piada da lista de natal, por exemplo, só irritou.
Ademais, parabéns pela rewieu. Foi muito bem escrita.
Obrigado, Isa! A review demorou pra sair porque minha semana foi meio conturbada, e toda vez que eu tentava começar a escrever, não saia nada. Era tanta coisa pra falar que eu não conseguia gerar um argumento sólido, haha. Fui ler umas reviews de outros sites e estava todo mundo cultuando o episódio. Pensei a mesma coisa que você: "Será que assistiram ao mesmo episódio que eu?". Achei fraquinho DEMAIS. Doctor Who merece e pode fazer MUITO MAIS que isso.
Esse Doctor não é bipolar. É poli. Um crianção sexualizado que carrega todo o peso dos 900 anos nas costas e tem rancor do mundo e faz brincadeiras bestas enquanto intercala a cara de sofrimento. Não dá pra entender. Não gosto disso. Russell T Davies soube manejar a personalidade do personagem muito melhor que Moffatt.
Obrigado pelo comentário!
primeiro o Mark Gatiss não exclui o twitter como andam dizendo, o Moffat excluiu, porque estava atrapalhando na sua vida pessoal e decidiu excluir, as pessoas estavam xingando a menina que fez a Amelia Pond na 5ª Temporada, ai já começam a dizer que o Moffat deletou o twitter pelo mesmo motivo, e depois o Gatiss, e essa 'guerra", é porque tem alguns fãs que já falam mal antes de ver o episódio porque é do Moffat ou porque não tem o Tennant, e ai só assistem o episódio para falar mal ou falar que a história é desnecessária, e são sempre as mesmas pessoas, em todos os episódios. Essa semana tinha gente falando mal da equipe de legenda porque demoram muito, isso porque lançam a legenda em 20 horas após sair o episódio.