Doctor Who – 06×10 – The Girl Who Waited

   

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As quatro primeiras temporadas de Doctor Who não tinham uma história central, uma trama que englobasse todos os episódios; não havia um rumo definido a ser seguido, então nenhum capítulo era considerado filler. Ao assumir a liderança no quinto ano, Moffat  arriscou uma história que durasse a temporada toda – a rachadura na parede –, mas nada tão grandioso quanto o mistério que é River Song. Depois da revelação do final de A Good Man Goes to War, voltamos do hiato de três meses com mais informações em relação a Melody Pond, e desde então, os dois episódios seguintes nem tocaram mais no assunto. Tendo um mistério maior esperando para ser abordado, The Girl Who Waited acabou tendo todas as características de um filler. Mas ainda assim foi lindo.

No que parecia ser apenas mais um dia dentro da Tardis, Doctor leva o casal Pond para Apalapucia, eleito o segundo planeta na lista dos 10 mais visitados por exigentes visitantes intergalácticos (todo mundo vai para o primeiro, Doctor é hipster demais para ir também). Mas em vez de pôr-do-sol, pináculos e grandiosas colunas de prata, a Tardis pousa em uma sala asséptica. Devido a um botão pressionado errado, Amy Pond – que havia voltado à nave para pegar o celular e tirar fotos (e não para twittar) – é separada de Rory e do Lorde do Tempo, ficando em uma sala onde o fluxo temporal é mais rápido. Apalapucia está sob quarentena planetária e os viajantes foram parar em uma instalação de tratamento para infectados pelo vírus Chen7, a “praga de um só dia”. Rory e o Doutor dão um jeito de rastrear Amy e resgatá-la, mas, quando a alcançam, 36 anos haviam se passado.

Depois de esperar a volta do Doctor desde quando era criança, Amy, “a garota que esperou”, novamente foi deixada para trás pelo Lorde do Tempo e agora diz que o odeia. Não conheço a série clássica, mas o Doctor nunca cometeu erros como esse nas temporadas anteriores (além daqueles que causaram a separação eterna dele e de suas companheiras, mas sempre por um bem maior), enquanto com Amy já aconteceu duas vezes. Rose foi muito amor e acabou em um mundo alternativo com um Doctor meio humano, meio Lorde do Tempo. Donna adquiriu todo o conhecimento dos Time Lords e teve sua memória apagada antes que explodisse. Martha só teve sorte de ficar viva e consciente tanto tempo. Mas, todas as vezes que o Doctor “vacilou” com a Amy foi de bobeira. E eu nunca tive problema com o 11º Doutor, mas não gostei muito dele depois desse episódio. Não gosto de um Doutor que mente ou que erra tão constantemente e faz as pessoas esperarem por tanto tempo. Ele já foi melhor.

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O episódio foi de Rory e Amy, sem dúvidas. O casal ficou “apagado” na semana passada, que deu destaque ao Doutor e ao garoto que tentava ajudar, e agora a situação se inverteu. Foi uma história de amor do tipo que Doctor Who não contava desde a 2ª temporada quando o Lorde do Tempo, mesmo não assumindo, amava Rose e fazia qualquer coisa para salvá-la. Algumas cenas entre Amy mais velha e Rory lembraram a despedida de Rose e Doctor no final da segunda temporada. Em Doomsday, Doctor precisa queimar todo um sol só para ter energias suficientes para se despedir. Aqui, Amy diz que vai arrebentar com as amarras do Tempo por Rory. No final, quando Doctor tranca Amy mais velha para fora da Tardis, Amy e Rory encostam a cabeça na porta da nave, assim como Doctor e Rose – cada um em seu universo – encostados na parede que os “divide”.

Rory fingiu estar em uma banda e o primeiro beijo do casal foi ao som de Macarena. É amor demais. A série é dos Pond – e da filha deles – e o Doctor passou a ser só um coadjuvante no elenco fixo. Pelo menos por um episódio.

Destaque para a fantástica trilha sonora de Murray Gold, que pegou o belo leitmotiv (tema musical, palavra que aprendi depois de fazer um trabalho de semiótica sobre e sempre quis usar pra alguma coisa) criado para Amy na quinta temporada e o usou magistralmente e de várias formas durante todo o episódio.

Veja abaixo a promo de The God Complex.

   

Sobre Eduardo Storm

Eduardo Storm é metido a publicitário, cinéfilo desesperado, músico nas horas vagas, leitor assíduo e viciado em séries. De vez em quando (sempre, na verdade) devaneia em seu twitter, só pra descontrair.

Comentários

  1. Blulrich disse:

    Foi um episódio bem… poético. Toda a história foi muito bem escrita, e as atuações, mais uma vez, impecáveis.
    Sobre esses erros do Doutor… não dá exatamente pra dizer que é coisa do 11º, porque ainda é a mesma pessoa, com as mesmas memórias e a mesma inteligência de antes, mas também estou estranhando. Mesmo com aquela cara dele no final, achei que ele deixou a outra Amy muito fácil. Os erros, bom, ele sempre errou muito, mesmo na 1ª temporada, mas isso nunca ficou mais evidente. Tem alguma coisa de bizarro nessa temporada.
    E por que todo mundo morre o tempo todo agora? Sei lá, vai que aquele reboot no final da 5ª temporada embaralhou tudo, e agora o universo tem que consertar alguma coisa… até agora a gente não sabe porque a TARDIS explodiu.

    • dudustorm disse:

      Pois é, Blulrich.. Não é que o Doctor nunca errou, mas ele nunca prejudicou tanto uma companion por isso. E isso tá me incomodando muito… To adorando a temporada, mas tem alguma coisa bizarra nela, alguma coisa que não me desce.
      Valeu!

  2. Wiatt disse:

    Episodio maravilhoso!! Bem interessante! Mas ainda espero pela River, está parecendo Torchwood com tanta enrolação…Mas mesmo assim foi um otimo filler!

    • dudustorm disse:

      Hahaha, chega a ser pecado comparar Doctor com Torchwood! Mesmo quando aqui é enrolado, é bom. Lá, quando é enrolado, é péssimo.
      Valeu!

  3. Tiago disse:

    Eu não falo que esse episódio foi filler, antes do fim da temporada, pelo que percebi no episódio, ele tem a história da temporada dentro dele, e que esse erro do Doutor em ir 36 anos para o futuro da Amy, não foi um simples erro, e sim algum tipo de teste que o Doutor faz, juntar duas Amy, uma nova e uma vários anos mais velha, e ter que salvar uma, e assim acaba reescrevendo o tempo e a Old Amy nunca existiu, bem é a mesma coisa que acontece no inicio da temporada, em que o Doutor perto de morrer convida sua versão mais nova, então ACHO que o que vimos nesse episódio em que o tempo da Amy foi reescrito em relação a Old Amy pode ser apenas uma introdução do que será usado no season finale, o Doutor usando isso para tentar reescrever o seu tempo e impedir a sua morte.
    Ou no final não será nada disso, sempre não é o que a gente pensa que será.

    • dudustorm disse:

      Faz sentido, Tiago. Pode ser um "teste" do Doutor…
      Mas realmente nunca é o que a gente pensa, então evito ficar criando teorias, haha.
      Valeu!

  4. Oi Dudu,

    Continuo a achar esta temporada meio irregular. Como mencionei antes, não assisti nenhuma promo nem li nenhum spoiler relativo ao episódio, então não não possuía nenhuma expectativa. E confesso que este episódio não foi dos meus favoritos.

    Sobre erros temporais do Doctor, de cara me lembro de dois: (i) em The Unquiet Dead, o Doctor programa a Tardis para aterrissar em Nápolis em 1860 e acaba chegando em Cardiff em 1869; e (ii) em Aliens of London, o Doctor leva Rose de volta à terra supostamente 12 horas após ela ter inicialmente embarcado na Tardis, mas comete um erro e eles chegam 12 meses após sua partida. Isso cria uma enorme confusão com a mãe de Rose e com Mickey. E Rose ODEIA o Doctor por isso!

    (continua)

  5. Tudo bem, são erros menores, mas mesmo assim, erros.

    Concordo com você que houve semelhanças entre a despedida do décimo Doutor e Rose (Doomsday) e a velha Amy e Rory. Mas o teor emocional foi beeeem diferente: em Doomsday, confesso que chorei; em The Girl Who Waited, gostei do desfecho, mas não me emocionei.

    Sei lá… achei um episódio mediano (mas como já comentamos aqui, episódios medianos de DW são acima da média se comparados com a maioria das séries!).

    Talvez DW precise de algumas doses de RTD assim como teriam sido muito bem-vindas doses CAVALARES de Steven Moffat nesta última (talvez última mesmo!) temporada de Torchwood.

    Que venham os próximos episódios!!! Valeu!!

    • dudustorm disse:

      O Doctor erra, mas nunca tive tanto a sensação de que foi propositalmente. E ele nunca prejudicou tanto suas companions como tem prejudicado Amy.
      Adoro Amy e Rory. A despedida dos 2 não foi tão emocionante quanto a do Doomsday, mas gostei bastante.
      Acho que o RTD, por não se jogar tanto nesses joguinhos temporais, criava histórias mais consistentes (quando não estava com a periquita solta fazendo aquelas finales megalomaniacas).
      Valeu!

  6. Estou me sentindo insensível, quanto mais penso no episódio, menos acho que ele tenha sido inacreditavelmente lindo.. Não que tenha sido ruim, longe disso, mas não consigo ter um apego tão grande por Rory e Amy.. Embora fique bastante feliz por eles terem abandonado qualquer tentativa de dar a entender que ela prefere o Doctor..
    Por sinal, concordo com vc ao não gostar do 11.. Parte de mim não aceita Matt Smith por pura implicância, porém, tbm tem a ver com o fato de estar diferente do que costumava ser.. Doctor mentindo, errando, propositalmente.. Não combina com o que lembro da série.. Não consigo entender direito como ele pode ser tão infantilizado em alguns momentos e depois tão estranhamente 'pesado'..
    Além disso, mantenho um pé atrás em relação ao esquecimento completo da existência de Melody.. Td bem não ser um capítulo focado nela, mas a lógica seria pelo menos ser mencionada, já que, em tese, um filho deveria significar mais para Amy do que Rory..
    Agora, parando de ser chata.. Karen esteve ótima no episódio! Não foi apenas a maquiagem que a deixou diferente.. Sua interpretação foi diferente para cada uma das Amy's.. com uma carga dramática que me faz sentir falta do Tennant..
    A cena na porta da Tardis tbm me lembrou o desespero eterno da parede com Rose.. Quero a segunda e quarta temporada de volta! Apesar que.. acho que nada ganha de primeiro beijo ao som de Macarena! ^^

    • dudustorm disse:

      A cada episódio, gosto mais de Rory e Amy.
      Não estou tendo problemas com o Matt Smith em si, mas sim com o 11º Doctor. Estão se contradizendo demais no roteiro, essas mudanças de espírito são muito forçadas… De uma hora pra outra ele é uma criança e depois um cara de 900 anos com a maior cara de sofrimento, ódio e angústia do mundo. Esse negócio de nem tocarem no assunto da River também me incomodou. Tipo, "deixa nossa filha ser criada como a assassina do nosso melhor amigo, vamos ali visitar o planeto mais bonito do mundo pra relaxar."
      Karen foi ótima mesma! Achava ela meio mediana até começar a assistir o Confidential dessa temporada (não assisti o da 5ª). Ela é MUITO diferente da Amy; o jeito de falar, até de andar.
      Primeiro beijo ao som de macarena!! <3
      Valeu, Carlinha! ^^

  7. Desde a segunda temporada todo décimo episódio deixa o Doutor numa posição de coadjuvante ou com um foco bem menor do que o normal (Love & Monsters, Blink, Midnight, Vincent and the Docto e agora The Girl Who Waited). Por isso já esperava que ele tivesse uma participação menor.

  8. Natasha Cardoso disse:

    Eu ainda não sei o que achei do episódio!

    Gostei da história, foi emocionante, mas não tanto quanto eu gostaria. Adorei Old-Amy, se mostrou uma verdadeira sobrevivente.

    Doctor mudou, isso é inegável e não estou muito agradada com esse fato não, mas mesmo assim não consigo odiar o 11 não, talvez, só um pouquinho…

    A cena na porta da TARDIS lembrou muito a afliçao da cena da parede na segunda temporada. Como a Carla, quero a segunda e a quarta temporadas de volta!!!

    Qualquer coisa sem nexo, desconsidere, fiz esse comentário em 2 minutinhos que tive livres no lab.

    Abraços!

    • dudustorm disse:

      Também não ODEIO o 11, mas minha simpatia por ele já está passando…
      Preciso de Donna e volta com o 10! =((
      Gostei bastante do episódio, acho que o fato de eu adorar a Amy ajudou.
      Valeu, Natasha!

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