
A última temporada da série meio que “oficialmente” trocou os flashforwards por sonhos. Todo episódio uma das personagens é atormentada por pesadelos recorrentes envolvendo os ocorridos da primeira temporada, todos cheios de significado e simbolismo – mesmo que eu não saiba identificá-los (se você é uma cigana que interpreta sonhos, não se esqueça de comentar abaixo). E ver Rose Byrne de cabelo um pouco mais comprido cheia de sangue que me impede de perder a fé em Damages. Já falei isso na semana passada, mas vamos combinar (novamente) que essa temporada está bem fraca. Nem é por conta das expectativas do público, porque fazer um roteiro de nível superior ao dos últimos anos não era nada mais que a obrigação deles, por ser a última história que a série tem pra contar. Mas ai David aparece ensanguentado na banheira chamando Ellen para se juntar a ele e meu coração chora.
A morte de David é histórica, não tem como esquecer a cena em que Ellen encontra o noivo no banheiro, mas até agora eu não havia feito a ligação entre a morte do médico e de Naomi: ambas foram em uma banheira. Isso pode ser muito mais do que apenas “referência”; pode ser um sinal de que o assassino de Naomi é o mesmo de David. Ou por não significar nada. O que me incomoda um pouco é que as tramas paralelas ao plot principal da temporada são sempre interrompidas sem motivo aparente, tornando certos personagens dispensáveis. Por exemplo, eu não senti falta alguma de Chris Messina no episódio passado. Cadê o advogado Hacker que Patty havia contratado? E que fim deu a mãe de Ellen?
Entrei no assunto só para lembrar que a senhorita Parsons pegou as evidências do assassinato do noivo no começo da temporada para investigar a morte do cara, e nunca mais tocaram no assunto. Dai quando chega a hora de abordar certo tema, jogam várias informações de uma vez, como no tão comentado caso da cigarreira nas semanas anteriores. Me incomoda que em uma temporada curta, escrita com cuidado e gravada inteira antes do primeiro episódio ir ao ar certas coisas não são tão bem planejadas como deveriam. Não sou roteirista, mas não acredito que esse seja o melhor jeito de fazer as coisas.

O que foi Rachel cantando na igreja? Pelo menos a menina canta melhor do que atua. Channing oferece à órfã de Naomi um acordo de 3 milhões para poupar todo o sofrimento que o julgamento causaria a ambos. Por mais que McLaren seja um personagem chato, ele entende que o julgamento vai ser explosivo não por sua causa, nem da senhorita Walling, porque os motivos são maiores do que eles. Os motivos são pessoais. Os motivos são Ellen e Patty, e o julgamento não vai acabar enquanto uma não destruir a outra – não importando os danos que seus clientes possam sofrer no meio do caminho.
Depois de ser “atacada” pelo chefe da mãe em um restaurante – que, falando nisso, foi uma ótima cena; ali passei a duvidar um pouco do caráter de Rachel, mas só um pouquinho. E Naomi era bem piranha mesmo, então nisso o chefe estava certo –, Rachel se encontra com Channing e eu duvidei que ela realmente fizesse isso sem o apoio de Patty. Achei que ela estaria usando uma escuta ou coisa parecida, mas não, ela agiu escondida de sua advogada mesmo. Uma atitude respeitável, diga-se de passagem. Não é qualquer um que olha nos olhos amedrontadores de Patty Hewes e faz o contrário do que ela pede.
A única coisa “aproveitável” do episódio (além do final, mas já já falaremos dele) foi Ellen dizendo a Channing que o cara que estava no quarto ao lado de McLaren e Naomi quando o suposto ataque sexual aconteceu confirmou sua história ao dizer que não ouviu barulho nenhum vindo do cômodo. Channing dá um olhar “incomodado”, disfarça e volta a fazer o que estava fazendo. Então quer dizer que o cara estava mentindo – e Channing também? E o “segredo” de Thomas era que ele estava tendo um caso, mas isso já dava para perceber desde o começo. Queria mesmo é que revelassem a amante e fosse Rachel, ou Naomi, ou Patty, ou até mesmo McLaren. Mas enfim.
I Need to Win estava bem chatinho até seus minutos finais, quando Thomas “resolveu contar a verdade”. Senti orgulho de Ellen quando descobrimos que era tudo armação. Segundos depois tivemos o segundo (ou terceiro?) plot twist do episódio, onde ficamos sabendo que as rivais trabalharam juntas pelo bem da disputa, chantageando Thomas a cometer perjúrio. E que final lindo. Foi lindo Patty perguntando se Ellen estava com medo dela e lembrando de quando foi convidada pela própria Parsons a sua festa de noivado. “You were such a sweet girl”.
A promo do sétimo episódio antecipa o momento que todos estamos esperando. Assista abaixo:







