
Em apenas dois episódios, a tensão já foi criada de uma maneira que nenhuma temporada anterior conseguiu. Todos nós sabemos que é a última história que Damages tem pra contar, todos nós esperamos com afinco o embate final entre mestra e aprendiz, mas até o décimo episódio ainda tem muita coisa para acontecer. Enquanto isso, a trama se desenvolve em silêncio, devagar, apenas criando perguntas, tendo ótimas reviravoltas e levemente sambando na cara da sociedade (sociedade = FX, que cancelou a série em seu terceiro ano).
Agora que a disputa entre as duas deixou de ser uma Guerra Fria e foi declarada, Ellen Parsons só começou a apanhar. Está do outro lado da arena enfrentando a advogada mais foda da história do Direito universal (pelo menos é essa a concepção que eu tenho) em um julgamento de visibilidade internacional em que não consegue controlar seu próprio cliente e ainda precisa lidar com os joguinhos da ex-mestra enquanto tenta desvendar o assassinato do noivo, que ocorreu lá na primeira temporada. É muita pressão pra uma personagem só. Mas pelo menos agora ela tem a ajuda de uma “Ellen do passado”, Kate, uma antiga colega de Patty que também sofreu em suas pretensiosas e gananciosas mãos.
No site oficial da série existe uma votação onde o público pode escolher se está do lado de Patty ou de Ellen. Instintivamente, dei meu voto à novata. Patty é bem mais experiente, fria, malévola e calculista do que a coitadinha da Ellen, mas não sei o que me faz torcer pela aprendiz. Nunca antes tinha me obrigado a escolher um lado. Talvez tenha escolhido ela por todo o sofrimento que a moça já passou desde que se formou e foi contratada pela Hewes & Associates, desde o começo sendo vítima de segundas intenções. Agora Ellen tem seu próprio escritório (sem paredes), tentando criar uma carreira sozinha, fora da sombra de Patty, mas isso jamais acontecerá/aconteceria. As duas estão envolvidas demais para sequer pensarem em uma vida em que uma está longe da outra.

Ainda não sei o que achar do personagem de Ryan Phillippe. Além de estranhar a escolha de ator (os “vilões” de Damages já foram interpretados por nomes como Ted Danson, Campbell Scott e John Goodman, pelo amor de Deus), Channing McLaren parece ser um mentiroso. Diz que não conhecia Naomi mas foi flagrado com sua peruquinha nos corredores do mesmo hotel em que a mulher se encontrava. O que mais ele sabe sobre o vazamento de informações? Seria mesmo inocente o suficiente para não seguir os conselhos de sua advogada e falar sobre Walling em uma entrevista que estava sendo transmitida ao vivo pela internet, ou tudo faz parte de seu “plano” – se é que ele tem algum?
Enquanto assistiam a tal entrevista, Bill pergunta a Patty por que ela deu um cliente como McLaren a Ellen, e a mulher responde com um enigmático “você sabe o porque”. Ninguém sabe armar um plano como Patty, então seria esse um indício de que o assassinato de Naomi tem o dedo da senhora Hewes? Por um lado é meio óbvio demais que tenha sido ela, enquanto por outro, é meio conveniente demais que isso tenha acontecido bem naquele momento. É o tipo de pergunta que vai ser criada todo episódio até a “épica” series finale (que todo mundo espera que seja realmente épica, na verdade).
Aplaudi o final do episódio. É sério, eu literalmente fiquei na frente do computador batendo palmas de emoção. Tem gente reclamando do final “didático” demais, mas eu achei incrível. Patty enganou Ellen sutilmente, nem cheguei a cogitar a ideia de tudo ser armação durante o episódio. Mais um tapa na cara da coitadinha, que no final das contas ainda vai acabar MORRENDO. Mas já disse que ainda estou esperando ela piscar em um daqueles closes, né? Muita maldade matar a moça, roteiristas. Ela já sofreu demais. Por falar na “morte”, quando Patty pede para dar um telefonema na delegacia, liga para a própria Ellen-defunta. Por que? Para saber se finalmente conseguiu terminar o serviço que começou na primeira temporada ou ela realmente não tem nada a ver com o possível assassinato? E se Ellen se matou porque não aguentou a pressão? E se a pessoa que apareceu no topo do prédio era apenas, sei lá, um zelador?







