
“Do you really want to live in a world without Coca-Cola?”
Não tomo refrigerante há mais de 10 anos, logo, a frase acima não tem muito impacto simbólico pra mim. Agora, me pergunta se estou pronta para um mundo televisivo sem Breaking Bad? Não vou saber responder sem sentir infinitos tipos de medo. Onde é que vou encontrar outra série que me inspire tanta segurança?
Say My Name não foi um episódio alucinante do começo ao fim. Na verdade, de novo, pontas soltas foram amarradas, outra trama cresceu e caminhou para um final que foi de tirar o fôlego, do jeito que apenas Vince Gilligan sabe fazer. Não foram momentos explosivos atrás de momentos explosivos, mas sinceramente não tenho coragem de reclamar de nada. Embora esperasse um desenvolvimento mais acelerado (estou mal acostumada, me deixa), o que vimos foi uma história sólida, que mesmo usando uma dosezinha de sorte, sabe o que está fazendo.
Acredito que o grande objetivo dessa parte da última temporada tenha sido consolidar o processo de transição entre o que restava de Walter White e a persona reinante que é Heisenberg. É impressionante a confiança crescente do personagem, que não tem medo de se impôr mesmo quando as possibilidades estão contra ele. Tudo bem que o dinheiro sempre fala mais alto, mas WW não tentou negociar a metilamina, ele impôs suas condições, tudo em prol do que precisava: se livrar de Mike e conseguir uma rede de distribuição.
Preciso dizer que vou sentir muita falta desses cenários desertos, em que o elenco reina sozinho. O diálogo inicial mostrou todo poder de convencimento de Walt e principalmente sua falta de respeito pela opinião alheia, em especial a de Jesse.
Na semana passada, já tinha comentado que achava que Todd poderia se tornar uma espécie de substituto, mas achei que essa possibilidade já tinha sido descartada. Não esperava que Pinkman fosse ter tanta coragem de simplesmente deixar a produção para trás. Apoio sua decisão como alguém que gostaria de vê-lo feliz, mas confesso que alguns dos argumentos de Walter mexeram comigo. O que há para o jovem lá fora? Ele é viciado, não tem uma família, nenhuma estrutura e muita coisa com o que se torturar. Será que não acabaria mesmo se voltando para as drogas em algum momento?
Claro que, apesar disso, eu já perdi qualquer ilusão de que o ex professor de química se importe mesmo com ele. Estou meio perdida em suas motivações pra continuar, especialmente depois do que fez por Mike. Parte de mim quis acreditar que ele não estava preocupado apenas consigo mesmo, mas também com o destino do breve parceiro. Essa esperança, contudo, logo foi deixada de lado.

Walter White ama ser o melhor no que faz. Ele gosta do poder, de estar à frente de suas decisões. De não depender de ninguém. Quando estava falando com Jesse sobre isso, quase consegui concordar que deve mesmo manter a produção de meth e sentir a satisfação de estar no topo. Gosto da ideia de que esse seja o objetivo declarado, de não estar nem aí para nada e nem ninguém. O que me incomoda é a hipocrisia do personagem, que sempre insiste em culpar os outros por suas atitudes.
Acredito que isso tem até diminuído um pouco, já que o discurso familiar foi reduzido e o câncer quase nem é mencionado. Mas, o que dizer dos momentos finais ao lado de Mike? A decisão de matá-lo foi pura estratégia de auto proteção e mesmo assim ele precisou dizer que a culpa foi de Ehrmantraut. Mais uma vez incapaz de assumir seus atos e consequências, WW camuflou pra si mesmo a ideia de que simplesmente não se importa mais com os outros e vive apenas para enaltecer o próprio ego, que foi justamente o que lhes levou até ali.
A última discussão com o ex braço direito de Gus me deixou pensativa. O que seria deles se o dono do Pollos Hermanos não tivesse entrado no caminho de Einsenberg? Se eles tivessem entrado em um acordo? Será que a DEA estaria em seu encalço? (Btw, só eu fiquei com a sensação de que o ângulo da cena em que Hank se encontra com o cunhado deu a impressão de uma câmera de segurança?)
Eu também ficaria revoltada com a prepotência de Walter em achar que só ele tem razão e só ele toma as decisões corretas. Na review de Buyout, me chamaram de feminista (?) por não concordar com a tal construção de seu império, mas sinceramente não enxergo uma questão de gênero. Walter White se tornou um ‘son of a bitch‘, pura e simplesmente. Ele não é badass, não é o cara, e nem mesmo um criminoso, no sentido completo da palavra. Ele é apenas fdp. Do tipo que puxa o tapete e faz cara de coitadinho, que diz que faz as coisas pela família, mas quer confete. E que vai se deixar derrotar justamente por essa incapacidade de aceitar que nem todos concordam com ele.
Pensando nisso, é ainda mais doloroso lembrar que Mike se foi. Ele era o único com balls suficientes para bater de frente com WW, sem nenhum medo do que aconteceria. Sua postura diante da morte foi digna de admiração. Impossível não lembrar da expressão de pânico de Walt sempre que teve uma arma à sua frente, sem um pingo da coragem demonstrada por Mike. A cena foi triste, empolgante, perturbadora. Quando o carro arrancou, parte de mim torceu para que conseguisse fugir, ter uma vida longe. Ao mesmo tempo, foi bom ver o fim de sua jornada, na mesma maneira de sempre, sem demonstrar fraqueza. Afora o medo por sua neta, acho que foi o único personagem que nunca surtou com o medo de ser pego.

Minha grande dúvida agora permanece na ligação entre a cena que abriu a temporada e o que vai encerrar essa primeira metade. A julgar pela surpresa de Jesse, não duvido nada que ele volta à produção, só por que Walter ”ajudou” Mike a pegar a mala. Pra ser sincera, fico um pouco em dúvida sobre isso, será que seu destino vai ser revelado? Ou seu corpo e carro vão sumir misteriosamente? Tudo que eu mais queria nesse momento é ver Pinkman descobrindo a verdade sobre essa e também a morte de Jane. Vivo pelo momento em que vai se voltar contra aquele em que sempre confiou.
Da mesma forma, estou curiosa pra saber mais sobre Todd. Não sei, existe uma passividade muito grande no personagem. Ele não é sonso, já sabemos disso. Em algum momento, já citou seu envolvimento criminoso, embora não tenha especificado de onde vem. Será que isso é importante a longo prazo? A aposta inicial era de que tivesse algum envolvimento com a polícia, tese descartada depois do tiro no menino, então fico sem nenhuma teoria furada para sua importância.
Falta apenas um episódio para o desespero de esperar mais um ano pelo fim da série. Não estou preparada para o hiato e muito menos tenho alguma certeza do que vai acontecer semana que vem. Acredito em mais alguma morte, talvez de Skyler, não sei por que. Mas, sinceramente não faço ideia do caminho que o enredo vai seguir. Teoricamente, Walter está com tudo bem encaixado para dar tudo certo, mas dar certo é algo que simplesmente não acontece em BB. Talvez o perigo continue vindo da polícia, talvez um dos 9 homens conte a verdade, talvez o câncer volte, talvez um mundo de coisas. A única certeza é que vai ser incrível.








Vai ser incrível mesmo.
WW se assumiu um completo FDP e, ao mesmo tempo que acho ótimo, acho desprezível. Assisti à finale de True Blood hoje e no mesmo período de cinco anos, enquanto TB foi decaindo temporada por temporada, BB cresceu em um nível que na verdade chega a ser assustador. Nenhuma série chega à quinta temporada com essa qualidade de roteiro. Todas se perdem no meio do caminho. Até (ou principalmente) aquelas que começaram MUITO bem (por exemplo Dexter, Damages e True Blood; a primeira temporada das 3 está no meu TOP5 "MELHORES TEMPORADAS DA VIDA", e por mais que nenhuma delas tenha ficado tão chata quanto TB, as 3 pecaram em vários aspectos).
Acho que o que mais me ~seduz~ em BB é não saber o que vai acontecer. Só que diferente de ""OUTRAS"" por ai, isso não quer dizer que não aconteça nada nos episódios e só fazem um cliffhanger legal no final dos episódios pra que a gente volte a assistir semana que vem. Os episódios são tensos e sensacionais em qualquer situação. Como você me disse, mesmo que coisas sensacionais não aconteçam o episódio todo, o desenvolvimento dos 50 minutos é sensacional. E acho que Vince é um dos únicos showrunners da atualidade que sabe fazer isso.
Sonho com o momento que Jesse vai descobrir a verdade sobre a morte de Jane, mas sinto que isso fica pra próxima temporada. Acho que no próximo episódio todo mundo vai simplesmente achar que Mike fugiu e está vivendo muito bem, obrigado, no México. Mas o mais emocionante é que não dá pra prever DE JEITO NENHUM o que pode acontecer nessa season finale.
Só não me conformo em ter que esperar mais um ano pra ver a verdadeira última temporada. Esse negócio de "dividir a temporada em 2" pra mim não colou. Dissessem logo que tinham renovado pra duas temporadas. Foi muita maldade.