
Pouco mais de 2 minutos de cenas em que uma moto é desmontada e tudo que eu consegui pensar foi no quanto esse processo seria feito novamente, dessa vez com uma criança. Sei que Breaking Bad não é uma série onde se caiba ter algum sentimentalismo, porém, não consegui evitar. Até mesmo por que esse, imagino eu, era o objetivo do começo. Não como uma estratégia de drama pra fazer chorar, mas talvez como prova do quanto a trama não precisa ser óbvia para atingir seu expectador.
Não tenho certeza se estava esperando que as coisas fossem andar tão rapidamente desde os acontecimentos do episódio passado. Estava imaginando que Jesse teria um colapso mais visceral, nos dando momentos como apenas Aaron Paul consegue. O que vimos, no entanto, foi uma reação um pouco mais adulta, acho. Um homem que cansou do que está fazendo e está pronto pra desistir do que não acredita mais. Foi um pouco surpreendente, confesso. Não achei que esse tipo de desistência apareceria a essa altura.
Fiquei com um gostinho de ‘preciso saber mais’ sobre Todd também. Imagino que a trajetória dele ainda tenha mais pela frente. Cheguei a cogitar que ele poderia assumir o posto de Pinkman, trabalhando ao lado de Walter, mas seria um tiro no escuro. Tive a sensação de que o lado Heinsenberg até admirou sua atitude durante o roubo, mas ainda é cedo para que tenham algum laço de confiança como esse. Minha outra grande dúvida sobre o recém chegado é o quanto ele sentiu pelo assassinato. Me pareceu estar sendo sincero em suas desculpas, mas também extremamente prático ao dizer que não existia nenhuma outra opção. De certa forma, é como se finalmente existisse alguém para impedir que o negócio de meth seja interrompido, como sempre costuma acontecer. A atitude dele, mesmo que desprezível, permite que a dupla (ou trio) não precise dar um passo a frente e dois para trás, como aconteceu em alguns momentos dessa jornada. O problema, em tese, parou ali naquela morte. Pelo menos pra WW.
A expressão de incredulidade de Jesse ao ver o sócio assobiando foi sutil e também uma das mais significativas pra mim. Sei que sua fé ainda é cega, mas pode ser que comece a sentir alguma desconfiança ao perceber que nem tudo que Walt fala é completamente verdade. Noites mal dormidas e bom humor não estão diretamente ligados. A grande questão é o quanto isso vai pesar ao longo do tempo.
Na verdade, eu mesma fiquei um pouco confusa ao longo do episódio em termos do que sentir. Não acreditei em nenhuma palavra do discurso de remorso de Walt. Porém, enquanto falou sobre seu arrependimento com a antiga empresa, acabei tendo alguma empatia por seus motivos. Ele não quer mais ser alguém que desiste. Parece ter lógica. Ao mesmo tempo, juro que não sei quem é a pessoa que o ex professor de química quer se tornar. Mas, antes de falar sobre o império que está buscando, o que dizer do delicioso jantar de Jesse com Skyler?
Meu sonho de consumo (e de Silvestre Mendes) desde o começo da série é ver mais interação entre os dois. Gostaria demais de vê-los juntos, agindo juntos, juntando forças, até. Tenho quase certeza que isso não vai acontecer, mas a refeição já valeu por toda minha semana televisiva.

Pra ser sincera, esquecendo do contexto, acho que me diverti mais com os três à mesa do que com qualquer outra comédia este ano. Cada tentativa sua de entabular um diálogo foi melhor do que a outra. Morri com os elogios pelo tempero da Sra.White; com a crítica à publicidade (oi, Dud’s) e principalmente com sua cara de pânico constrangedor enquanto bebia água e tentava fingir que isso não estava acontecendo. Uma dosezinha de pastelão não faz mal pra ninguém, e considero um dos pontos altos do episódio.
O que mais me intrigou, porém, foi a passagem entre a surrealidade daquele jantar e mais um desabafo de Walter. Estaria ele falando a verdade? Não consigo acreditar nesse discurso de que não vai ter mais nada se desistir de produzir a droga. Já sabemos o quanto Jesse é suscetível a acreditar nele, então bem pode ter sido uma manipulação planejada. Embora tenha ficado em dúvida depois que tentou roubar a metilamina, daquele jeito tão aparentemente despreparado. Agora, alguém me diz o que foi aquele momento MacGyver pra fugir do lugar onde Mike o prendeu?
Tá, aceito tudo de BB, não vou fazer mimimi por aquilo. Mas, assim, a mesma sensação de rapidez em resolver toda situação com Todd (veja só, nada de lentidão) me acometeu nesse instante também. Não sei se era pra existir alguma passagem de tempo ali, mas entre procurar uma saída, pensar em queimar as amarras e fazer tudo dar certo, tudo pareceu meio forçado. Mas, enfim. Quem sou eu pra reclamar?
O importante é que isso nos levou a mais um gancho com as ideias maravilhosas de Einserberg e o pedido de calma de Jesse. Seria muito fácil para Mike puxar o gatilho, e até me pergunto seriamente por que não o fez. De qualquer maneira, quanto mais tento imaginar no que pensou em fazer, menos consigo apostar numa resposta. Considerei que ele pudesse aumentar a quantia do líquido, colocando outra substância, mas isso não garante a extinção das pedras azuis, logo, não é um plano brilhante. Minha criatividade é bem reduzida, acho que preciso de outras teorias pra poder pensar numa conspiração mais elaborada, alguém?
E realmente precisa ser algo muito bom, ou a prepotência não estaria tão nítida na expressão de White. (Mais) Um revólver em sua cabeça e toda confiança do mundo de que ele não será disparado. Ou será que ele apenas não se importa mais tanto assim? Difícil dizer. A única coisa que eu sei é que isso me lembrou o quanto estou o desprezando cada vez mais. Qualquer chance de ter caído naquele discurso e me apiedado de sua possível solidão foram por água abaixo.

Claro que não sei direito até quando vou me sentir assim, acredito que sou meio influenciável. Cada vez que lembro do rosto de Bryan Cranston no primeiro episódio da temporada, novamente com cabelos, tenho a impressão de que ainda vou mudar de ideia. Que ainda vou torcer puramente por seu sucesso, a qualquer custo. Só não faço ideia NENHUMA ainda de qual será o caminho até aquele momento. Faltando dois episódios para encerrar a primeira parte dessa temporada final, não tenho absolutamente nenhuma certeza sobre o que pode acontecer para chegarmos até lá, se é que isso vai acontecer nessa fase ainda.
Fico com um pouco de pé atrás pelo andamento não ter sido tão explosivo, pensando nessa reta final, mas nem de longe isso diminui minha empolgação. Tal como sempre acontece, muitas cenas foram acima de qualquer média, com reviravoltas interessantes. Talvez tenha faltado um pouco do fator OMG, mas é por que fiquei mal acostumada. Essa coisa de ser a melhor série no ar atualmente meio que cria mil expectativas, o que a trama não tem a menor obrigação de cumprir o tempo todo. O lado bom é que não tenho a menor dúvida de que vou me arrepender dessa pequena reclamaçãozinha semana que vem.








Obrigado pela menção! Hahaha..
Li a review e fiquei pensando na cena da premiere… E se a segunda parte da temporada tivesse um salto temporal de 1 ano? Sinto que alguma coisa MUITO tensa vai acontecer no oitavo episódio. Vince não pararia por um ano sem um cliffhanger monstruoso.
O sexto episódio não foi tão fantástico quanto os dois anteriores, que entraram pra minha lista de melhores episódios de toda a série, mas as reviravoltas foram importantíssimas para o desenvolvimento da história. A série só vai se encaminhar para o final por causa das coisas que aconteceram aqui.
O jantar de Skyler, Jesse e WW foi sensacional. Maior climão do mundo. Três atores incríveis batalhando para ver quem se sai melhor, e ninguém consegue ganhar; todos ficam empatados.
Não sei o que pensar! Não sei o que esperar! To nervoso!
Quero ver vc citando Jesse no seu discurso de formatura! (Mad Men who?)
Tbm tenho pensando na cena da premiere. Não tem como espremer pouco menos de um ano em dois episódios, precisa mesmo acontecer algo grande que justifique o final da temporada e a passagem de tempo. Como já tinha comentado, imagino que alguém deva morrer, tipo Skyler. E agora me ocorreu que Vince pode fazer algo mais maluco, tipo prender Walt ou Jesse, não sei. E só voltar com a série depois, funcionando na base do flashback. Ou seja, minha criatividade é reduzida.
O jantar foi incrível! Podiam ter ficado mais meia hora naquele clima e teria minha atenção total. Pena que Jesse e Skyler não conversaram mais. Queria mesmo vê-los juntos.
Tbm estou ansiosa! vou ter que ver a ""finale"" por streaming, a curiosidade vai me corroer até lá.
Também tive a mesma pensamento, nao esperava que o Mike e o Jesse fossem sair do ramo agora, pois ainda faltam dez eps pro fim e nao consego prever o que o Gliligan vai aprontar ate lá se realmente mike e jesse sairem. Esperava uma explosão de moralidade por parte do Jesse apos o ocorrido em Dead Freight, realmente esperava uma surtada , mas, pareceu que ele conseguiu manter a mente bem equilibrada e tomar uma atitude que eu, sinceramente, nao aguardava do personagem. Eu achei que ele fosse na policia e fosse acabar com tudo de uma vez, porem me surpreendi com a ação.
Será que Mike vai até o final da série tbm, Junio? Não sei, estou achando que ele termina sua participação nessa metade da temporada. Deixando o final só pra Jesse e Walt. Puro chute.
A explosão de moralidade, como vc disse, era bem esperada, talvez por isso tenha sido uma boa ideia fazer de um jeito diferente. Gosto muito dessa originalidade de BB, de não ter medo de apostar em algo diferente. Não tinha pensado em polícia, seria um bom caminho tbm, embora tenha a sensação de que Hank e a DEA podem guiar a segunda parte da temporada.
Review de feminista bunda suja. Não suporta ver um cara "montar o império" e deixar a pobre da mulher "presa". :/
Comentário ofensivo de quem leva as coisas à sério demais e não tem argumentos. Não suporta ver uma opinião diferente da sua e precisa apelar :/
Oi? Feminista? Desculpa, mas isso é recalque. Também estou desprezando Walt, mas não acho que isso me classificaria como ~feminista~. Então se eu defender Jesse sou machista? Quer dizer que não podemos gostar/desgostar/defender um personagem sem ser julgado?
Se discorda da opinião da autora, argumente. "Bunda suja" não é argumento.
Tbm estou tentando me localizar no termo 'feminismo', Dud's. Você não está só.
Bom, vamos por partes:
1) "feminista"? Li a review duas vezes e não encontrei qualquer indício dessa afirmação. Aliás, não me lembro de ter pensado nada parecido com isso em NENHUM texto da Carla.
2) "bunda suja"! Pura vontade de ofender.
Eu sou um cara (um pouco) acima da média em discordar dos outros, mas SEMPRE tenho meus argumentos coerentes com o assunto, sejam eles válidos ou não.
Como colaborador do blog gosto de ler todo tipo de cometário, inclusive os de opiniões diferentes desde que tenham o caráter de acrescentar algo a review.
Obrigada pelo comentário, Zé (:
Eu não teria o menor problema em ser chamada de feminista – me chamaram de machista em outro post, veja só – desde que tivesse um embasamento. O que eu acho impressionante é a preguiça mental, que leva uma pessoa a levantar bandeira sem sentido, partindo pra ofensa vazia ao invés de se dar ao trabalho de argumentar.
ri muito na hora do jantar tbm…mas a parte mais legal p mim foi depois,no lava rapido,qdo Jesse diz p Skyler:"vamonos",e ela:Quem me dera,….
Amo BB,e só comecei a assistir por causa dos seus resumos elogiando a série,resultado,:assisti todas as temporadas em 1 semana,e agora tenho q aguenta a tortura de esperar pelo ano q vem…enfim obrigada Carla,por me apresenta a melhor série de todos os tempos…
Poxa, Déia, você não imagina o quanto eu fico feliz por saber que você assistiu por minha indicação e gostou! Breaking Bad tem ganhado um pouco mais de atenção ao longo das temporadas, mas ainda é mais desconhecida, é bom saber que ainda tem gente se apaixonando por ela.
Sonho com mais interações entre Jesse e Skyler, embora não ache que isso possa acontecer. Essa cena também foi ótima, senso de humor delicioso.
Não sei se dói mais saber que falta um ano pro final ou saber que vai acabar. De qqr maneira, eu é que agradeço por ter assistido e vindo comentar (: