
Estou olhando para esta tela e pensando na imensidão da minha idolatria por Breaking Bad neste momento. É provável que não seja exatamente saudável eu sentir vontade de abraçar Vince Gilligan, Bryan Cranston, Anna Gunn, o diretor do episódio Rian Johnson (obrigada Eduardo Storm pela informação) e toda AMC, mas não há nada que possa fazer. Fifty-One não foi explosivo ou cheio de reviravoltas, mas capaz de tirar o fôlego mesmo assim.
Desde que a série estreou, sempre acompanhamos cenas muito bem construídas, cuidadosas, necessárias e até simplesmente bonitas. Não tenho conhecimento técnico para avaliá-las do ponto de vista de produção, mas é impossível não reconhecer momentos que não existem à toa, e que são fruto de alguém que sabe exatamente o que está fazendo. E este episódio foi especialmente incrível nesse sentido. O que dizer de Walter olhando para o espelho logo no começo? Das gotas caindo da roupa depois do que aconteceu com Skyler? Do relógio que encerrou tudo? Ou ainda, da coragem de deixar alguns segundos de tela apenas para a água da piscina, cuja cor é a mesma do crystal meth (obrigada de novo, Dud’s)? Minúcias que colocam BB um nível acima, sem que seja possível sequer pensar em outra produção com quem se possa comparar.
O que mais impressiona, porém, é que mais do que imagens dignas de admiração, a série tem ainda um enredo que prende igualmente. Chegamos à metade dessa meia temporada final, e ainda não sabemos direito quais os rumos dos protagonistas, mas o ritmo continua indicando uma subida que, inevitavelmente, vai resultar num ápice em que tudo vai dar errado. A grande questão é saber qual será tal falha.
Considerando a falta de destaque de Jesse nesse começo, fico pensando se a divisão da temporada de despedida não pode indicar que 8 episódios são para WW e os demais para seu ajudante. Pura especulação, eu sei, mas senti um pouco de falta de Pinkman. Não sei por que, mas suas poucas cenas com Lydia me deixaram pensando num envolvimento entre eles. Sua defesa ao final, pedindo pela vida da manipuladora, me lembrou aquela ingenuidade inicial, de quem acredita que as coisas não precisam ser violentas. E o que dizer do relógio comprado como presente de aniversário? Revoltante pensar que ele não faz ideia de com quem está lidando. Ainda bem que Skyler saiu do seu marasmo para nos ajudar a lavar um pouco a alma.
Acho que nunca vou esquecer minha expectativa durante a cena da piscina. Gostei que Hank tenha descoberto sobre o caso dela com Ted, deu margem para que a atmosfera estranha não criasse desconfiança. Assim, pudemos simplesmente apreciar cada segundo de dúvida sobre o que exatamente estava se passando pela cabeça da Sra.White.

A sequência que mostra sua descida até a água é tão impressionante que não sei nem como encontrar um adjetivo. Na verdade, acho que desde o começo do episódio me vi pensando em gêneros de filme, conforme cada cena. Com Walter dentro dos carros, logo imaginei uma trama de ação. Sky fumando, de costas para a câmera, um enredo de máfia. E, os momentos dentro da piscina, um roteiro com potencial para um suspense de terror. Tudo graças ao olhar vidrado e meio intimidador de Anna Gunn.
Não via a hora de ela voltar a ser a mesma mulher de fibra que conhecemos ‘um ano atrás’. Claro que muita coisa aconteceu e sua personalidade está bem menos centrada do que antes. Contudo, sua aparente calma e obstinação ao falar sobre a pequena vitória com os filhos, foi de alguém que sabe o que está fazendo. Talvez não a longo prazo, já que não tem ainda o mesmo cinismo prático do marido, mas com tanta frieza quanto possível. Juro que durante aquele diálogo, esperava ouvir de tudo, menos a lembrança crua sobre as chances do câncer voltar. Talvez tenha sido algo covarde a se dizer, mas no lugar dela, acredito que faria o mesmo.
No momento, é provável que essa seja a única ameaça imediata que ronda Walter. Ele não tem mais um inimigo direto, nem mesmo a DEA está tão próxima assim. Fico pensando se ele sente medo da doença, ou acredita que está tão no topo que nem isso é mais uma questão relevante.
Mas, voltando para os diálogos entre o casal, como ficar imune a uma atuação tão firme quanto a dos dois? Sei que estou me prendendo mais aos detalhes do que ao enredo em si, mas dessa vez é meio inevitável. Fiquei feliz e vibrei com cada segundo de seu embate, mas o que mais me encantou foi a maneira como eles aconteceram. Achei interessante que Walt ainda pareça demonstrar alguma preocupação com a esposa. Cheguei até a acreditar um pouco que ainda a ama, mas suas atitudes sempre dizem o contrário. Se antes eu tinha alguma simpatia por Heinsenberg, isso tem se tornando cada vez mais difícil. Será que é algo que ainda pode mudar?
Pura prepotência tentar usar o relógio como prova de que alguém que o quer morto pode passar a adorá-lo pouco tempo depois. Não é como se ele tivesse feito algo para que Jesse apreciasse sua companhia. Ele apenas mentiu, manipulou, escondeu o que achava que devia esconder. Me pergunto se ele tem consciência de que seu senso de moralidade está completamente deturpado, ou se acredita ainda que tudo que faz é pela família. Família que mal lembrou de seu aniversário, merecidamente.

Falando em aniversário e no tal relógio que representa uma contagem regressiva, será que os acontecimentos vão acelerar tanto a partir daqui, a ponto de chegarmos logo à ‘comemoração’ dos 52 anos, mostrada na premiere? Me intriga tentar descobrir se a existe mesmo essa passagem de tempo. E, obviamente, o que vai acontecer nesse período, para que tantas mudanças aconteçam. Inevitavelmente, logo penso em seus cabelos como sinal de que sua personalidade não será mais a do badass total, quando chegar àquela lanchonete. Não sei.
Ok, não sei nada, reconheço. Estou cada vez mais interessada, presa, encantada com o andamento da temporada, mas ainda no escuro. E adorando estar no escuro. Tal como comentei sobre a cena da água, tenho certeza que são poucos, pouquíssimos, os enredos que conseguem fazer a mesma coisa. De ter uma ‘lentidão’ tão digna, tão instigante quanto essa. Chego a ficar com medo, ao pensar que logo a série será encerrada, e sempre vou sentir que ninguém vai chegar aos pés de BB. O consolo é que vale incrivelmente a pena.








Apenas duas curiosidades:
- O relógio que WW ganhou é um Tag Heuer Monaco (http://us.tagheuer.com/en/luxury-watches/monaco-watch) que ficou famoso ao ser usado por Steve McQueen. Alias, o ator morreu de um raro cancer de pulmão.
- O desprezo de Skylar, em sua cena final, foi representada muito bem diante do destino das cinzas do cigarro: uma caneca que WW ganhou em seu aniversário.
Quanto mais eu descubro desse episódio, mais fica impossível não encarar BB como a melhor série no ar. Esses pequenos detalhes me fazem lembrar o que eu sentia com Lost, em sair procurando detalhes. A comparação é incrivelmente injusta, eu sei, mas não consigo não pensar.
Foi tão lindo que eu nem sei o que dizer. Desde segunda-feira estou exclamando aos sete ventos (?) como esse episódio foi lindo. As direções de BB sempre são incríveis, mas essa foi PRIMOROSA. O roteiro não tinha nada de novo ou inovador, nada que os episódios anteriores não tinham, mas ainda assim Rian Johnson (diretor de um dos meus episódios favoritos da série, o "Fly", da 3ª temporada) conseguiu fazer um episódio pra entrar pra história. Existem vários episódios memoráveis de BB, mas não lembro de muitos que me fizeram cultuar a genialidade da série exacerbadamente como esse. E sei que ultimamente eu tenho usado o termo "genial" mais do que o socialmente permitido, mas pra BB ele pode ser usado no sentido literal mesmo. Fifty-One foi um episódio GENIAL.
Eu acho que vc criou expectativa pra mim com suas exclamações, viu!? Sua sorte é que tudo foi cumprido maravilhosamente bem. A história não seguiu um caminho alucinante, mas foi impossível não acompanhar tudo com a maior das atenções.
Genial, acho que essa palavra perde a força a cada episódio de BB. Sério, precisamos de um adjetivo novo, pq a escalada de qualidade é INSANA!
Essa série com certeza já entrou pra história da TV. Desse nível, até hoje, só assisti "Six Feet Under" e "The Sopranos". O resto é resto…
Sem dúvida, Júnior. Pode ser pessimismo meu, mas não sei se vamos ter outra série que chegue perto de BB tão cedo.