Breaking Bad – 05×02 – Madrigal

   

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Bem vindo de volta, Aaron Paul. Cada lágrima sua merece um Emmy.

Se na semana passada Breaking Bad parecia estar lidando com suas consequências mais imediatas, em Madrigal vimos uma espécie de recomeço. Com novos personagens e novas tramas, o destaque ficou com Mike e com a sensação de que as pontas estão sendo costuradas, porém, com peças que ainda não conhecíamos. O mais interessante disso tudo é que, mesmo desconhecidas, todas elas parecem realmente interligadas, sem que seja possível imaginar onde vamos parar.

Morro de ansiedade pelo dia em que Jesse descubra tudo que Walter já fez. Já comentei que acredito que a segunda parte da temporada será conduzida por alguma disputa entre os dois. Não tenho a menor certeza se isso vai acontecer, mas não dá pra negar que precisamos que Pinkman saiba a verdade. Aquele choro preocupado logo no começo foi revoltante. Sempre penso nele mais como uma vítima, e saber de sua preocupação em matar um inocente apenas comprovou isso. No entanto, cada palavra de WW foi impossível de  engolir. Fico pensando em como deve ser para Skylar ter que conviver com o homem que ele se tornou. Meu consolo é saber que não sou a única a achar que ele está prestes a ‘explodir’.

Não achei que eles fossem voltar a produzir meth tão cedo, e nem que chamariam Mike tão abertamente. Tinha certeza de algum envolvimento seu, a longo prazo, contudo, fiquei surpresa com os caminhos que o fizeram aceitar a proposta. De vez em quando gostaria de entrar na cabeça de Vince Gilligan, pra saber como consegue organizar cada detalhe. É impressionante que uma pequena pista escondida num porta retrato tenha aberto tantas portas. E adoraria saber como ele consegue conduzir tudo com tanta originalidade. Demorei um pouco a me encontrar com a cena inicial, com os alemães, mas o envolvimento da empresa com a Pollos Hermanos (saudade, Gus) é uma ideia coerente, que impressiona por conseguir fugir de clichês, mesmo correndo esse risco.

Parando pra pensar, era meio óbvio que Fring não poderia fazer tudo sozinho, com apenas Mike ao seu lado. Mas o grupo dos 11 e a mulher paranoica funcionaram muito bem. O clima da lanchonete chegou a ser divertido. Na minha falta de habilidade criminosa, acho que também usaria um óculos do tamanho do mundo e uma capa preta (um sotaque, talvez) para me disfarçar. E também seria meio ingênua, achando que conseguiria matar meio mundo, facilmente, sem pensar que outra pessoa seria mais inteligente do que eu.

A cena da morte do assassino foi deliciosamente perturbadora. A calmaria, a pergunta, a expectativa pelo tiro. O episódio já teria sido de Mike apenas por esse momento.

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Sorte que ainda tínhamos mais algumas cenas marcantes, dessa vez, ao lado de Dean Norris. O depoimento à polícia foi tenso, fiquei esperando o instante em que um dos lados estouraria. O auto controle foi ótimo, especialmente quando Hank começou a falar sobre a neta de Mike. É estranho saber que até ele tem um ponto fraco e que mesmo assim, não vai falar nada comprometedor. Se seus homens são ‘sólidos’, ele não é diferente. Resta saber até quando consegue ser pressionado até entregar alguma coisa. Ou, quanto tempo vai aguentar trabalhando com o novo onipotente do enredo.

Walter não foi o fio condutor do episódio, mas todas suas cenas provaram o quanto está se sentindo no topo, mesmo que ainda não tenha voltado ao tráfico. Ele conseguiu enrolar Jesse mais uma vez, ele quer um novo parceiro, ele quer um novo lugar para produzir, ele é quem dá as cartas. Ele é quem decide o que a esposa quer ou não.

Achei interessante, enquanto Hank estava com o chefe, falando sobre Gus, todo aquele discurso sobre ter cozinhado ao lado de um criminoso, tê-lo conhecido como amigo, não ter desconfiado de nada. Foi quase como a descrição do que acontece entre os dois cunhados. Se não vejo a hora de Jesse saber a verdade sobre Walter, mal posso me conter pela revelação da grande verdade para o policial. E, sinceramente, não consigo imaginar em que momento ela deve acontecer. Por enquanto ainda tenho a sensação de que ainda estamos na escalada que vai fazer com que White se sinta cada vez mais importante, esquecendo de tudo ao seu redor.

Aquele discurso com Sky no final foi quase tão detestável quanto o dado a Pinkman. Além de tentar convencer a esposa de que está tudo bem e que logo sua consciência vai se acalmar, ainda continua fazendo de conta que está tudo bem entre eles. É impressionante o quanto ele está vivendo apenas em seu mundo, sem se importar com reações ou opiniões daqueles que estão mais perto. Tivesse se dado ao trabalho de olhar para a mãe de seus filhos, talvez sentisse alguma compaixão pelo olhar de pânico que pareceu demonstrar enquanto estava na cama com ele.

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 Falo desde o começo sobre o quanto um silêncio consegue falar mais do que qualquer atitude em Breaking Bad, e a paralisia de Skyler exemplificou isso perfeitamente. No começo achei que ela estivesse com algum indício de depressão, por não querer levantar para ir ao trabalho. Agora, porém, acredito que seja medo mesmo. Medo do que se tornou, medo do que ainda está pela frente e, principalmente, medo do homem que um dia amou. WW não é a mesma pessoa, e mesmo que continue com toda suas tentativas de dizer que tudo o que faz é pela família, já sabemos que no fim das contas o que acaba importando mesmo é o egoísmo de Heisenberg.

E pensando nisso, fico me perguntando em como seria se sua doença voltasse, com toda força. Ainda não consegui fazer nenhuma aposta em relação ao começo da temporada, com o flash do futuro, e nem acredito que esteja doente, porém, queria saber se isso o afetaria de alguma maneira. Tão crente em sua invencibilidade, seria instigante vê-lo mais uma vez com um inimigo, desta vez, invencível. Mas, apenas divagações.

Pra falar a verdade, minha maior alegria em BB continua sendo não saber absolutamente nada do que vem pela frente. Cada episódio – seja mais lento ou alucinante – desde o começo tem sido uma deliciosa surpresa, e só me preocupo ao pensar que está chegando ao fim. De resto, me mantenho cegamente confiante e apreciando cada segundo. Mesmo quando estou odiando Walter.

   

Sobre Carla Gomes

Carla Gomes é viciada em séries e gosta de assistir tanto coisas novas quanto clássicas, de preferência do início ao fim e sem qualquer preconceito. Jornalista e meio autista por opção, de vez em quando pode ser encontrada no Twitter @_CarlaGomes_

Comentários

  1. dudustorm disse:

    Aaron Paul chorando é nível Claire Danes de comoção: parte meu coração. Nunca cheguei a ter raiva do Walt, não necessariamente, mas sim, nesse episódio passei a enxergá-lo como REVOLTANTE. Não é sua intenção, mas não tem como rotular de outra maneira.
    É lindo ver a evolução de Skyler, um personagem que eu não gostava nem um pouco no começo.
    Mike foi genial o episódio todo.
    Esse tão comentado silêncio de BB é incrível. É a única série do universo que consegue fazer isso sem transformar o episódio em uma tortura televisiva.
    Confesso que esperei uma ceninha do "futuro"… #triste por não ter aparecido nada.

    • Walter está caminhando pra se tornar um vilão, coisa que não imaginava que pudesse fazer. O mais legal é poder ver esse caminho, entre as escolhas que o levaram a isso. Até pq, aposto que ele deve achar que tem motivos pra estar assim.

      Skyler e Mike tbm cresceram mto. O episódio foi dele e fico pensando em quando ela vai ter um só ´pra ela, finalmente dizendo o que pensa. E sem medo de Walt, de preferência.

      Eu tbm estava esperando mais um FF, mas é até bom, pra não criar expectativa (beijo, Lost)

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