Depois de dois episódios, Awake voltou a me agradar. Amém! Eu já estava começando a pensar que transformariam a série em uma versão de Alcatraz. E como todos sabem eu não gosto muito dela. Essa semana o plot andou novamente – a nação agradece – ou melhor dizendo, desandou, mas eu falo disso mais pra frente. Como se não bastasse, os nossos queridos psicólogos voltaram pena que com participações menos significativas, só duas frases de cada um no episódio, pode isso? Mas enfim, o importante é que foi bom mesmo assim.
Tivemos um foco maior na premissa que a série está tentando passar desde seu começo, como pequenos detalhes diferenciam uma realidade da outra. Essa semana vimos isso na final de um jogo de… alguma coisa. Na realidade vermelha, onde tudo dá certo, o time de Los Angeles venceu. Na realidade azul, onde tudo dá errado, o time de Los Angeles perdeu. A vitória e a derrota foram por questões de segundos, mostrando com ênfase como pequenos detalhes podem mudar TUDO.
A realidade azul ganhou destaque novamente, e até que eu gostei de Rex nesse episódio, quem diria? Deve ter sido o fato de ele não estar sendo devasso com o pai mais uma vez por pura “frescurite aguda” – sim, peguei a expressão emprestada da minha avó, me julgue, pelo menos eu ainda tenho vó. E como tinha ficado evidente nos episódios passados, Emma e Rex andaram se pegando e fazendo o tchá tchá tchá tchá tchá. Ver a aproximação de pai e filho foi ótimo: Michael além de ter identificado o problema de seu filho, ainda foi compreensível e como se não bastasse ainda o ajudou ensinando como identificar se uma pessoa está mentindo, no caso essa pessoa seria Emma. Seguindo as técnicas de seu pai, Rex descobre a verdade que Emma estava escondendo, e que verdade!
Ela estava grávida! Sim, eu disse ESTAVA, já que ela perdeu o bebê na realidade azul, porque tudo nesse paralelo é uma droga. Quando um(a) adolescente perde a virgindade, não se espera que ele(a) tenha uma camisinha no bolso – como uns e outros – então pode-se deduzir que uma primeira vez, talvez a segunda, até a terceira vez quem sabe, seja sem camisinha. Não estou dizendo que é certo, apenas que a gravidez de Emma é totalmente verossímil, ao contrário do que eu li por aí.
Já os casos, não trouxeram nenhuma inovação, foi mais do mesmo. Mas eu não culpo Awake por isso, em vista que cada “versão” do CSI tem inúmeras temporadas. A derrota e a vitória do time em cada realidade foi o que gerou os crimes diferentes:
Em um paralelo, temos um caso envolvendo um incêndio criminoso para obter dinheiro do seguro para o pagamento de dívidas de jogo. Eu conheço um jeito ótimo pra pagar dívidas: chama-se trabalho. É realmente bom, é assim na maioria das vezes: você faz uma coisa que você não gosta, recebe uma mixaria (cof cof cof salário mínimo) e gasta todo seu dinheiro pagando essa dívida, até sua família começar a passar fome, então você vai e vende uma das suas 365 filhas…Opa! Me empolguei! Desculpa gente. Onde eu estava? Ah sim! Agora, vamos admitir que o caso em si além de ser clichê ainda teve uma solução mais clichê ainda. Alguém não tinha percebido que a esposa do tal apostador era a incendiária?
Já no outro, temos um caso de assassinato envolvendo um torcedor que estava assistindo ao tal jogo. Como sempre esse caso só foi solucionado por causa de observações de Michael na outra realidade. Será que essas conexões entre os casos de cada “sonho” é pista pra alguma coisa? Uma espécie de indicativo? Assim como o primeiro, esse caso foi outro clichê, a única coisa que me surpreendeu foi o fato do irmão ser o assassino. Eu li por aí dizendo que isso estava óbvio, eu não vi nada de óbvio nisso. Mas eu sou burro mesmo, então.
Agora, ainda fico pasmo com a capacidade dos roteiristas de deixar detalhes subentendidos por todo lado no episódio. Vocês notaram, por exemplo, que as técnicas que o protagonista ensinou pro filho foram extremamente necessárias pros casos? Já que os criminosos eram um tanto quanto mentirosos? Sem contar que a observação de Michael foi excelente no final do episódio “Eu acho que independente se o time ganhasse o perdesse, a gente estaria resolvendo o caso em outro lugar”
Além disso, muitos ficaram reclamando de não ter tido os psicólogos falando sobre o fato de Emma ter continuado grávida na realidade vermelha, detalhe que aparentemente vai impedir a mudança de Hannah e Michael. Pra mim os roteiristas fizeram isso de propósito, eles queria induzir a gente a entender esse ocorrido. Ao invés de colocarem os psicólogos falando, nós temos que interpretar o que aconteceu, e qualquer um que prestou atenção nos diálogos desde o começo pode fazer.
Eu consigo ver Dr.Lee falando “Incrível, seu subconsciente estava em busca de um empecilho para a sua mudança e usando as informações que já tinha, ele…como posso dizer? Juntou as peças do quebra-cabeça e através do sonho trouxe à tona, pra que assim você enxergasse algo que já sabia”
E Dra.Evans dizendo “Fascinante, é fantástico o jeito que se cérebro trabalha, Michael. Ele usou o fato de que Emma perdeu o bebê aqui na vida real, e sonhou com ela ainda grávida, solucionando dois problemas de uma vez: a falta que seu filho faz no sonho e impediu a mudança…Você não acha suspeito o modo como no seu sonho tudo dá extremamente certo? Isso não é uma prova mais que evidente de qual realidade é o sonho?”
Me senti um psicólogo, só que não. Episódio excelente, temos só mais quatro pra finale, e infelizmente noticio que o cancelamento já é dado como certo. Comecemos então, nossas preces ao NetFlix, nossa única esperança agora.










