
Ninguém pode dizer que não tentei manter todo amor do mundo por Alcatraz. Porém, a essa altura, nem mesmo um coração aberto consegue superar a eterna falta empolgação da série. Chegando a seu 7º episódio, tudo continuou morno, absolutamente morno, com pouquíssimos detalhes dignos de elogio.
Inicialmente achei que o formato procedural seria meu maior problema com a história, no entanto, percebi que é mais uma questão sobre como esse formato tem sido explorado. Em geral, é comum esperar que um final feliz aconteça e nem me incomoda que todos os investigados tenham sido pegos até agora. O que não dá pra aceitar é a maneira como as coisas se resolvem, sempre precisando de uma espécie de muleta salvadora, que abre milhões de caminhos. tudo na base do puro feeling.
Acredito que Soto seja inteligente e que Hauser mantenha computadores poderosos e tal, mas o aparecimento do vídeo que apresenta Johnny é absurdo. Da mesma forma, a foto de sua suposta namorada também não faz muito sentido. O programa de reconhecimento estaria monitorando toda internet? E o Dr estava passando a noite no computador só por que estava mesmo a fim de jogar vídeo game? É muita sorte pra pouca competência.
Enquanto isso, Ginny e seu rosto queimado foram suficientes para abrir todo caminho em busca de McKee. Gosto de tramas que vão desvendando e montando peças de uma quebra cabeça, mas mesmo que exista uma tentativa de fundamentar as coisas, aqui tudo acaba indo parar no campo das adivinhações. E, com algumas exceções, parece sempre dar certo, sem que ninguém corra um risco realmente grande.
Outra coisa que pareceu inverossímil e desnecessária foi ver Hauser ~apagando~ o viral. Não espero que ficção acompanhe realidade, mas tentar mostrar esse tipo de poder é algo que não precisa acontecer. Já sabemos que ele tem essa imagem de badass, que pode tudo e não responde perguntas, não precisa forçar as coisas. Pode ser implicância minha, mas acaba impedindo ainda mais que exista alguma empatia pelos personagens. Eles não são falíveis, e portanto, não dá nem vontade de torcer para que dê tudo certo.

O lado razoavelmente positivo é que os prisioneiros continuam não sendo muito suavizados. Johnny matava e matou a rodo. A cena da piscina foi surreal e improvável, mas valeu pela bizarrice. O que não pareceu muito elaborado foi todo seu histórico de revolta contra bullies. Enquanto a morte de seus ex colegas de escola soa como algo que um psicopata faria com toda preparação anterior, o envenenamento da água foi mais precipitado. Senti um pouco de medo de alguma lição de moral, mas abstrai completamente a possibilidade de isso acontecer.
O que tenho me perguntado é se algum dia vai aparecer algum criminoso sem esse tipo de motivação. Não sei, seria legal acompanhar uma pessoa puramente perigosa, que não tivesse um retrospecto de vingança específico. Alguém que mata por prazer, talvez, sem laços com família, por exemplo. Isso poderia obrigar a trama a usar outros artifícios menos óbvios para investigar. Mais um momento ‘tive uma luz’ – como o do endereço falso – e não sei se terei alguma motivação para continuar assistindo.
Na verdade, acho que a motivação já está bem reduzida. Quando vi o livro de Harold Robbins no começo, tentei lembrar da história de Os Insaciáveis, pra fazer alguma relação direta com tudo. Porém, quando a capa revelou que se tratava de Metamorphoses, quase morri de preguiça ao pensar que teria que pesquisar a obra pra saber do que se tratava. Quem tem acompanhado minhas reviews até aqui sabe que já fiz algumas comparações com Lost, mas esse sentimento em NADA lembra a ilha anterior. Aquele desespero em procurar referências simplesmente não existe, provando que o mistério de Alcatraz ainda não conseguiu ser suficientemente instigante.
Acho que a única coisa que me chamou atenção nesse episódio nesse sentido foi a questão dos sonhos mesmo. Sem nenhuma sutileza, o assunto foi inserido tanto por Jack como pelo médico ao falar sobre o coma de Lucy. Já ficou bem claro que o tratamento experimental terá uma grande importância nisso tudo. O que me deixa em dúvida é se isso está mesmo ligado ao desaparecimento de todos. Meu pessimismo me faz achar que teremos alguma revelação sobre isso na finale, e que vão empurrar o grande suspense tanto quanto for necessário. Só não sei se vai existir tempo e paciência suficiente para chegar até lá.

Sinceramente, não tenho a menor ideia das chances de a série ser renovada e garantir uma segunda temporada. Não consigo imaginar uma premissa que consiga manter a trama por, não sei, outros 22 episódios. O potencial em número de prisioneiros existe, mas a fórmula precisa ser aperfeiçoada de alguma maneira. Sei que não dá pra exigir impactos e mais impactos, mas não custava nada algum tipo de inovação, risco ou qualquer coisa assim. Algum elemento que convencesse a não esperar o fim da temporada e ir pro Google só pra descobrir qual era a conclusão.
Talvez esteja sendo muito rígida com o enredo, mas acho que realmente perdi qualquer ilusão que mantinha até aqui. Por mais que desejasse encontrar o potencial crescente de Fringe, por exemplo, quanto mais assisto, mais penso em FlashForward, e isso não é nada bom.









Concordo com tudo. Eu queria muito gostar de Alcatraz, mas não está fácil.