American Idol – 09×07 e 09×08 – Auditions
07/02/10 por Nanda Prates

Episódio 7 – Denver auditions:
Eureca! Há talento na nona temporada de American Idol! Não sei se a altitude colaborou, mas Denver rendeu belos – e talentosos – frutos, em um programa em que, aleluia, os bons candidatos mereceram mais destaque que as aberrações. Ainda há quem goste de ver a galerinha bizarra fazendo papelão em rede nacional (ou mundial) mas, depois de nove temporadas, até as gracinhas começam a virar forçação de barra. Enfim… Eu não sei se o orçamento está baixo ou se as celebridades estão simplesmente ocupadíssimas, mas Victoria Beckham voltou a assumir a cadeira dos jurados. Novamente, mais preocupada em comentar o vestuário dos participantes, Victoria pelo menos é sincera e lembra que imagem pode não ser tudo, mas é grande parte. Sua presença ainda é mais aceitável que a de Kara que, para a surpresa de NINGUÉM, continua absolutamente irrelevante. E Simon… Bem, Simon mostrou neste episódio que, no fundo no fundo, é apenas um homem inseguro buscando aprovação e calor humano.
NOT. Especialmente amargo, a nossa nuvem cinza britânica preferida não perdoou NINGUÉM e liberou todo o humor negro que parecia ainda haver preso dentro de si. Sim, ainda havia coisa lá.
Bem, vamos aos talentos… A noite abriu com Mark Labriola, um gordinho que, se não parecia PRONTO para ser um desastre com seu chapeuzinho, praticamente assinou o atestado de geek quando falou que era muito comparado ao Jack Black. Vejam bem: os fãs de Idol sabem que essa é a regra de ouro: se o candidato fala que é comparado a alguém, ele geralmente: a) não tem NADA a ver com essa pesoa e b) não sabe cantar para salvar a sua vida. Então lá fomos nós, preparados para rir do gordinho. Até que, BOO-YA, não é que o cara manda bem? E, na sala de juízes, contou sua história de vida meio bizarra: aos quatro anos, foi raptado pela mãe e levado para o Maui. E Simon, em sua infinita cara-de-pau, conseguiu transformar o assunto em uma piada. Shame on you, Simon. Esse é o tipo de coisa que a gente zoa internamente, não na frente da pessoa. Mas, apesar da história bizarra, o Idol preferiu explorar o fato de que ele tem um filho para sensibilizar a galera. Enfim, o gordinho passou.
Sugiro que a produção do Idol construa algum tipo de creche ou brinquedoteca nas salas de teste, porque os candidatos já perceberam que o truque para conseguir TV time é simplesmente carregar um pestinha consigo. Ou, no caso de Tori Kelly, uma PORRADA de pestinhas que, aliás, sequer eram seus filhos. A garota de 16 anos simplesmente falou que eram “amigos da família”. Algo me diz que várias criancinhas estão se empanturrando de guloseimas de suborno nesse momento. Como se não bastasse, a candidatada ainda levou uma das criaturinhas para DENTRO da sala de testes que, no auge de seus olhinhos azuis, levou DESENHOS para os jurados. Quero dizer, Tori nem precisava cantar, podia parar tudo por ali. Cantou bem, mas Simon, talvez percebendo o nível de manipulação sentimental da situação, cismou que não queria passar a menina. Muito estranho, considerando-se que ela era bonita, cantava bem E levou crianças, mas todos sabemos que a bipolaridade é parte do charme de Simon.

A infanto-apelação continuou com a super insossa Kimberly Kerbal e a emocional Danelle Hayes – que, btw, GRITOU uma música da Melissa Etheridge de maneira que meu ouvido está zumbindo até agora. Já Casey James (foto acima), sem filhos para vender, explorou o fato de que sofreu um acidente e, pasmem, tem cicatrizes. Despido em público pela Kara e a Victoria, algo me diz que o moço vai apelar menos para o ouvido e mais para a libido. Faz parte do show. Nicci Nix, que parecia ter inalado uns 38 balões de hélio (comentário, aliás, esboçado por Simon), surpreendeu com uma voz de canto bem menos irritante que a de fala. Boa sorte, Janice.

O nome da noite, para mim, foi Haeley Vaughn (foto acima). A fofíssima garota de 16 anos quebrou pela primeira vez o estereótipo da cantora negra de American Idol. Ao contrário das Lakishas, Lafondas e Lirandas do passado, Haeley não cantou Whitney, Mary J Blige, Aretha Franklin ou qualquer coisa que o valha. Em vez disso, escolheu Dixie Chicks e declarou: quero ser uma cantora de country pop. Kudos para ela, que promete mudar bastante a dinâmica da competição. Aliás, a garota foi tão bem que eu super dispensava a apelação que eles criaram em cima do fato da menina ter nascido prematura. Sim, isso mesmo que vocês leram. O terrível drama de vida da menina foi ter nascido antes da hora. Tô bege.
Episódio 8 – The Road to Hollywood
Não entendi nada. Este episódio, chamado “The road to Hollywood”, compilou vários auditions que nós ainda não tínhamos visto. A questão é: se havia tanto talento não-televisionado, porque eles encheram tanta lingüiça com competidores bobos e historinhas pseudo-dramáticas? O meu palpite – que divido com alguns outros sites – é que essa filmagem foi feita depois da Hollywood week, quando eles perceberam que não haviam mostrado muitos dos candidatos que iam para os Top 24 e tentaram dar um jeito na situação. Ou foi só para a semana ficar redonda. Mas enfim.

Aposto minhas fichinhas em Aaron Kelly (foto acima) para ir longe. O garoto de 16 anos, que cantou uma versão de “The Climb”, da Miley Cyrus, com certeza vai agradar à ENORME porção tween dos Estados Unidos. A curiosidade é que o garoto foi parar nas auditions depois de ganhar o “American Idol Experience”, na Disney. Enfim, junte isso tudo com o fato de que ele é um pobre menino adotado e tandaaaaaaam, temos um vencedor. Ou não. A história nos conta que esse é o moleque de 16 anos que vai chegar aos top 12 e ser espinafrado semana após semana pelo Simon e vai continuar passando pela boa-vontade do público. Clássico. Estou esperando para ser positivamente surpresa.
Uma chorosa Didi Benami cantou “Key Jude” em homenagem à amiga morta. Apesar da pontuação máxima no apelationmeter, a música ficou bonita na voz diferente de Benami. Gostaria de vê-la avançando, sempre curto essa coisa diferente, meio Adele, para fugir da gritaria gospel habitual . É o que me lembra que estou vendo American Idol, e não “Mudança de Hábito“. Já Crystal Bowersox causou choque com uma música SUPER original que NUNCA foi cantada no programa. NOT. Cantou “Piece of my Heart” que, na minha opinião, devia ser banida de Idol. Ou da vida. Já deu.
Na seção “babado”, está Michael Lynch. Após gerar ondas de favoritismo na internet com uma versão linda de “Unchained Melody”, ele corre o risco de ser desclassificado . O motivo é que seu querido papai revelou a uma publicação que o filho teria ido para os 24 finais. Valeu, paizão! De qualquer maneira, não sei se o Idol eliminaria alguém baseado nisso, então talvez ainda o vejamos nos Top 24.

Da série “o retorno dos que não foram”, Lacey Brown (foto acima), Rose Flack e Jessica Furney fizeram seus comebacks triunfais. Lacey chegou bem longe na última temporada, mas perdeu sua vaga no último segundo para Megan Joy. De fato, as duas têm estilos de canto bem parecidos, mas Lacey parece ter mais alcance e controle de voz. E, espero, mais controle sobre os membros também – quem não se lembra dos movimentos espásmicos à la Elaine Bennes de Megan? Enfim, gosto da Lacey. Também gosto da Rose, a loirinha que dividiu opiniões na última temporada com uma voz interessante, porém muito crua. Vamos ver se agora vinga. Jéssica Furney deu um jeito na “geekyness” da última temporada e espertamente cantou uma música co-escrita pelo Simon. Jogada de mestre. Apesar de genérica, levou os quatro votos positivos.
E, para arrematar uma temporada marcada por sentimentalismo barato, temos Hope Johnson. A bonitinha de 16 anos derreteu o coraçãozinho da América com a história sobre como era pobre e não jantava e tinha que pegar comida da escola para alimentar o irmão faminto. Nossa, acho que acabei de deixar escapar uma lágrima solitária do meu olho direito. Enfim… Dramalhão mexicano à parte, a garota é um talento natural, mas algo me diz que vai murchar espetacularmente na hora do “vamos ver”. O que não é de se surpreender, considerando que os hormonais adolescentes de 16 anos tendem a não ter total controle sobre suas emoções.
Da série candidatos “sem noção”, devo lembrar de Shaddaii Harris. Sem fantasias espalhafatosas, biquínis pequenos, ou excesso de palavrões, a garota conseguiu se destacar simplesmente por sua total e absoluta falta de talento. É até bonito ver que, após nove temporadas de aberrações fantasiadas tentando conseguir exposição na TV, ainda temos aquele bom e velho sem noção que simplesmente acha que sabe cantar. Acha errado. Geralmente encorajado por uma mãe obesa e com problemas de discernimento, esse personagem insuspeito que parece realmente chocado quando ouve um “não” está se tornando cada vez mais raro no programa. Uma pena.
Semana que vem, Hollywood Week, com a estreia de Ellen Degeneres no lugar de nosso duende alcoolizado Paula Abdul. Eu acho essa fase particularmente interessante. Sem aberrações, é a hora em que os candidatos podem mostrar o talento com instrumentos musicais e, principalmente, arranjar briga com os companheiros de grupo. Quem não adora aquele momento em que um dos membros do grupo simplesmente se recusa a cantar e só quer saber de dormir ou brincar na piscina, gerando catfights de proporções massivas? Ou, melhor ainda, quando é uma pessoa toda errada e incapaz de decorar letras ou coreografias? Aguardo ansiosamente pela “Tatiana” desta temporada, que promete toda uma dose extra de drama humano. Até a próxima.







