Produtores de Lost falam sobre temporada final
12/01/10 por Carla Gomes
Há alguns anos os produtores de Lost, Carlton Cuse e Damon Lindelof, convenceram os executivos do canal ABC a determinar uma data para o final da série. E com essa data cada vez mais próxima, a publicação The Hollywood Reporter entrevistou os dois para saber um pouco mais sobre o término da história e suas perspectivas sobre esse final. Os dois falaram ainda sobre os boatos de possíveis spin-offs da série. Nós do NaTV, dividimos essa entrevista com vocês!
Vocês obviamente não podem falar sobre o conteúdo do final. Mas o que acham que os fãs vão achar?
Lindelof: Essa é uma maneira cautelosa de perguntar isso. É difícil prever. Mas concordamos que vai haver uma reação de curto prazo ao final e depois um legado de reações que virão depois de 6 meses, um ano, quando olharem a série como um todo. Ontem, Carlton e eu tentamos lembrar sobre o que foi o final de The Sopranos, mas não conseguimos lembrar muita coisa, a não ser que Anthony Jr. ia para o exército e mudou de ideia depois de um acidente de carro. Mas eu lembrei de cada frame da cena da lanchonete. O que as pessoas vão retirar do nosso final é baseado puramente naquelas duas horas de episódio, mas nossa esperança é de que consigam conectar essa experiência aos 6 anos que as precederam.
Como você pode descrever a temporada em termos de, digamos, tom? O que será em comparação às temporadas passadas?
Cuse: Achamos que o tom é mais parecido com o da primeira temporada da série. Estamos usando uma narrativa diferente, na qual achamos que estamos criando histórias emotivas e sinceras, e queremos que o público tenha a chance de, na temporada final, lembrar da história toda. Então temos atores voltando, como Dominic (Charlie) e Ian (Boone). Esperamos fechar um círculo da jornada inteira, para que o final relembre o começo.
A história de algum personagem pode emocionalmente simbolizar essa temporada?
Cuse: Jack e Locke sempre foram o centro da série, o dilema entre fé e razão, e o conflito entre esses dois personagens estão presentes desde o início. É muito excitante dar uma conclusão a esse relacionamento, e nós realmente não podemos ser menos vagos sobre o assunto.
Nos últimos anos tivemos episódios finais de “Sopranos,” “The Shield,” “The Wire” e “Battlestar Galactica”. Vocês acham que algum deles teve uma boa conclusão?
Cuse: Pessoalmente não acho que nenhuma dessas séries tenha sido ruim, foram todos apropriados para suas histórias. Shawn Ryan fez um ótimo trabalho em The Shield.
Lindelof: A questão é: foi satisfatório? Foi dada à audiência uma viagem emocional que os satisfez, foi uma boa refeição? Cada uma dessas séries tinha um critério diferente. O final de The Shield foi sobre se Vic Mackey sofreria ou não as consequências de seus atos. Essa é uma questão similar a de Sopranos, razão pela qual algumas pessoas não gostaram da maneira como terminou, por que eles pensaram “Eu achava que o final dessa série estava no que acontecia com Tony Soprano, e essa pergunta não foi respondida”. O final de Battlestar teve umas 10 coisas a mais do que apenas as resoluções dos conflitos dos personagens. Isso dito, o final de Shield foi fenomenal, e quase todo fã da série concorda com isso. Ao passo que com outras séries – e provavelmente com Lost – há debates sobre os finais. “Eu gostei?” “Eu adorei?”
Vocês resumiram Lost a uma questão central que o final precisa resolver?
Lindelof: A única questão que sempre nos importou é o que vai acontecer com aquelas pessoas. Qual o final do personagem? Que a audiência sentiu que existiu um arco, com começo, meio e fim. E estou satisfeito com isso. Nós adoramos toda a coisa da mitologia dessa ilha doida, mas é como os terroristas que atacam Jack Bauer, são coisas que acontecem para contar as histórias legais do personagem.
Vocês mencionaram o tipo de narrativa, presumo que não sejam flashbacks e nem flashforwards?
Cuse: Números musicais. Se você gosta de Bollywood, vai amar essa temporada.
Lindelof: A série nunca fica estagnada nos louros da fama. Não por que estejamos tentando ser superiores mas a série demanda constantes viradas para contar melhor a história. Sabemos como vamos fazer isso já há alguns anos, e foi um tremendo trabalho ajustar um precedente para que isso pudesse funcionar. Mas ainda estamos imaginando: “Vai funcionar? A audiência vai entender? Qual vai ser a reação?”
Já que nenhuma sequência foi revelada, há algo que vocês possam dizer para nos deixar curiosos?
Cuse: Nós terminamos com a Juliet em meio àquela bomba. Há a previsão de Jack de que a bomba vai apagar os eventos e o avião sequer vai cair. Há a possibilidade de que isso não aconteça. Queremos que o público pondere as consequências de Juliet acertar aquela bomba. Nossos cliffhangers são elaborados para formular perguntas que queremos que a audiência analise.
Agora que já chegaram tão longe, há alguma temporada preferida?
Lindelof: A primeira temporada provavelmente é minha favorita, em retrospecto você acaba esquecendo toda a dor necessária para fazer a série.
Cuse: Eu diria a 5ª temporada. Fizemos algo radical (ao introduzir a viagem no tempo) e abraçamos as raízes sci-fi da série. Estávamos preocupados com relação a fazer isso. Mas as pessoas terem gostado da última temporada foi imensamente gratificante.
Vocês tem planos de lançar uma nova série na próxima temporada, na ABC ou outro canal?
Lindelof: Não. O mundo trabalha de maneira misteriosa, mas nosso trabalho nos últimos seis anos se resumiu em trabalhar de 70 a 80 horas por semana em Lost. A ideia de voltar ao mesmo ritmo não nos atrai. Quando terminarmos Lost vamos desaparecer por um tempo em lugares distantes e pensar um pouco.
Cuse: Eu acho que a única certeza que temos é que não temos a vontade de fazer algo tão denso, extenso e em série. Você precisa exercitar diferentes músculos.
Lindelof: Minha esperança é tirar proveito de outra série de sucesso.
Como aconteceu com você?
Lindelof: Isso. Talvez uma série sobre vampiros que trabalham em uma agência de publicidade e um outro que é um serial killer.
Cuse: Especialmente se o personagem principal também cozinhar metadona. .
Lindelof : Oh, Eu não tinha pensado nisso. É um Emmy quase garantido. “Breaking Bad Men.”
Hoje em dia alguém conseguiria fazer o piloto de Lost?
Lindelof: Quando você pensa no desenvolvimento da série ano passado, e em séries como FlashForward e V, você diz “Essas séries são muito caras de se produzir com o tamanho desse elenco e suas premissas (ambiciosas)” Mas é meio estranho que exista mais Sci-Fi do que no nosso início. Com exceção dos barulhos na selva e os ursos polares esquisitos, quase não há ficção científica no episódio piloto de Lost. Em “Tubarão”, você não mostra o tubarão até quase uma hora de filme. Achamos que agora há uma chance maior de fazer Lost por que todos querem essa ficção científica velada. Você assiste Indiana Jones e dizem que não é sci-fi, mas aí você pensa “Mas os rostos deles derreteram!”
Vocês disseram que vão sair da cidade no episódio final. Quais são seus planos?
Cuse: Vamos assistir o último episódio em Los Angeles. Tradicionalmente temos uma pequena festa para assistir. Alugamos um restaurante e colocamos grandes televisões para celebrar, e depois vamos desaparecer para lugares desconhecidos,
Quem vai escrever e dirigir a hora final?
Cuse: Damon e eu vamos escrever e Jack Bender irá dirigir.
Algum envolvimento de J.J Abrams?
Lindelof: Vamos convidá-lo para a festa. Ele faz muita coisa ao mesmo tempo. Sua contribuição será o que tem sido nos últimos 5 anos, como um incrível fã que nos apoia, o que é muito legal para nós.
Olhando para trás tem alguma coisa que fariam diferente?
Cuse: A jornada tinha que ser da maneira como foi. Nós dois não temos arrependimentos. O objetivo apenas se torna claro com o conhecimento, e ainda estamos na jornada, então o objetivo ainda não está completo.
Lindelof: Seria bom olhar para trás e dizer: “Amamos cada episódio de Lost e tudo foi como gostaríamos que fosse.” Tem alguns episódios horríveis de Lost que gostaríamos de nunca ter escrito. Mas se não o tivéssemos feito estaríamos em uma situação diferente agora, por que ficamos sem ideias, ficamos empacados, então o canal entendeu o que queríamos ao dizer que série precisava de uma data para acabar. E agora estamos aqui, seis anos depois com uma série que não é como era antes (na audiência) mas ainda no ar, e estamos terminando do nosso jeito, tudo isso por causa dos episódios horríveis.
Vocês podem dizer, definitivamente, que depois do episódio final, não vai haver outra produção de Lost, seja em filme, TV, internet, outra mídia?
Cuse: A Walt Disney Co. é dona de Lost. É uma franquia pode cautelosamente valer bilhões de dólares. É difícil imaginar que Lost vá para a prateleira sem que mais nada sobre a série seja feito. Eventualmente alguém vai fazer alguma coisa sob o nome de Lost, quer nós participemos ou não. Nós apenas nos comprometemos em fazer com que esse grupo de personagens tenha um final até maio.
Lindelof: Alguém fez uma continuação de “O Vento levou”. Às vezes a franquia transcende a história. A versão definitiva de Lost termina em maio na ABC, assim como a história que nós temos a contar. Há um início, um meio e um fim. Esse final não terá clifhangers, ou fará alguém pensar “É óbvio que ainda vão fazer mais alguma coisa sobre isso”. Nós não queremos nenhuma conexão com outra série de TV ou filme. Mas há um novo filme do “Esquadrão Classe A” vindo aí, pelo amor de Deus. Esse é um negócio que prospera no que é conhecido. E tem “Tron” que é o filme mais falado da Disney no ano, e ficou pegando pó por 20 anos. Não consigo imaginar que não vá haver algo sobre Lost envolvendo monstros, ursos polares e viagem no tempo.
Comecei a entrevista perguntando sobre o que os fãs vão achar sobre o final. E vocês, como se sentem?
Cuse: É como se fosse Natal. É um presente que compramos há muito tempo e estamos excitados em ter alguém – no caso, os fãs – para quem entregar. Também há uma certa nostalgia e tristeza, como quando guardamos os enfeites dos feriados.
Lindelof: Não vai mais existir o Natal. É impossível dizer como vamos nos sentir no dia seguinte. Parece meu último ano no colegial. Você fez esses grandes amigos e relacionamentos, mas está indo para a faculdade e outra fase de sua vida está começando.
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A estreia da última temporada de Lost deve acontecer no próximo dia 02 de fevereiro. O possível adiamente causado por um discurso do presidente Barack Obama, foi descartado.










