Review : A Lei e o Crime (1×09) (1×10)

22/05/09 por Paulo Fabian  

Nãoooo, escapar e humilhar, isso sim é crime.A Lei e o Crime chega, com esse nono episódio, no ponto mais próximo de se tornar uma derivação de novela do que no seu intuito original de série policial. E nem é o caso por abusar de cenas românticas ou do melodrama corriqueiro, mas por não se esforçar em nada em esconder tais características.

O curioso é que o público alvo de uma série que trata da violência do Rio de Janeiro não é o mesmo que acompanha com assiduidade todas as tramas arrastadas e rocambolescas de uma telenovela diária. Pelo contrário, são expectadores que estão interessados em algo diferente e que gire em torno dos sucessos do cinema, como Cidade de Deus e Tropa de Elite.

O tema que se desenvolve é o da traição. Para variar um pouco, o crime dessa vez é na favela do Cabeção. Pascoal (Ilya São Paulo), um eletricista, retorna a sua casa sem avisar e atende um telefonema que seria para sua esposa, Marlene (Tulanih). Do outro lado da linha um amante da mulher deixa escapar uma fala carinhosa. Isso basta para o marido confirmar suas suspeitas e comentar o problema com um amigo, Lobato (Roberto Lopes), que por uma conveniência do roteiro é um dos milicianos da redondeza.

E justamente os milicianos é que flagram Marlene com o outro e os levam a um tendencioso conselho, que por unanimidade condena os dois amantes. O homem é morto (embora não se mostre isso) e a mulher é humilhada publicamente, tendo que desfilar seminua e com os cabelos cortados pela comunidade.

Após uma denúncia Catarina encontra a mulher num beco sujo e logo detem o marido A princípio ele nega tudo mas depois acaba pondo a culpa no amigo miliciano. Isso também não é mostrado. Na verdade, o episódio omite vários detalhes da investigação para valorizar o lado novelesco das tramas dos personagens. E acaba por fazer um final corrido onde Lobato escapa da delegacia (com a ajuda de Romero, não exibida) e, numa perseguição de Leandro, pelas ruas do Rio, acaba morrendo num acidente.

Esse episódio fraco pelo menos serve de mote inicial ao décimo episódio, que apresenta os milicianos tentando encontrar um jeito de evitar o encalço de Catarina sobre eles. A solução é praticar uma chacina no Alvorada e pôr a culpa em Nandinho da Bazuca, e até na própria delegada, por omissão, graças a ajuda de um vereador corrupto.

Esse ataque rende uma boa dose de emoção. Um outro foco de ação do episódio e com pior resultado é do ataque do deputado Trancoso, Valter e Renato à Leandro. Não convence o ataque furtivo que dá em nada. Aliás, cada vez mais o trio de vilões se aproxima sem querer de um tom cômico, de tão over que é a construção das cenas deles.

Esse episódio redime o fraco da semana passada e, mesmo com os erros de sempre, direção, trilha sonora, atuações, e até enquadramentos de câmera duvidosos, oferece o melhor gancho já apresentado pela série. Nando, Catarina e Leandro com sérios problemas.

Sobre Paulo Fabian
Roteirista por profissão, está sempre à procura dos acertos e erros dos roteiros de séries sem deixar de lado o olhar de fã. Outras análises, desta e outras atrações televisivas, você acompanha no seu blog pessoal, o Netiteve. E sigam seu Twitter.

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