Lost: muitas respostas em “Jughead”

29/01/09 por Gisele Ramos  

Desmond sempre foi responsável pelos melhores episódios de Lost. “The Constant”, por exemplo, é considerado por muita gente como o melhor de toda a série. E quando o brotha reencontrou sua Penny no final da quarta temporada, muitos temeram que o personagem saísse de cena, já que sua missão havia sido aparentemente cumprida. Mas na season premiere percebemos que Des ainda tinha um grande papel a desempenhar nessa história, justamente por ser o único elo de ligação entre passado e futuro, e – mais importante – o único a saber que os sobreviventes continuam (vivos e correndo perigo) na ilha. Agora pai do pequeno Charlie (homenagem singela e bonita, hein?), Desmond pode ser obrigado a abdicar da convivência com sua família para ajudar aqueles que ficaram para trás.

“Jughead” tinha tudo para ser um episódio chato. No final das contas, os 42 minutos ficaram resumidos à busca do brotha pela mãe de Faraday, e o confronto na ilha entre os sobreviventes e os Outros, que praticamente exterminaram todos os camisas vermelhas. Mas algumas informações, inseridas de maneira casual na trama,  fizeram deste um daqueles episódios reveladores, e que dão uma virada na história. Digamos que “Jughead” é a cola que une vários elementos da mitologia de Lost, formando uma “big picture” com a qual nós sequer ousamos sonhar ao longo das quatro primeiras temporadas. E a equipe da criação da série dá uma aula de como lidar com viagens temporais em um roteiro televisivo sem partir para o clichê e, principalmente, sem deixar furos. Lost me deixa maravilhada.

Não foi sensacional testemunhar o primeiro encontro entre Locke e Richard Alpert? Lá, em 1954, Locke se apresentou como futuro líder e entregou a bússola que alguns anos depois lhe serviria como teste. A partir dali, fez todo sentido a visita de Alpert à maternidade, e – principalmente – sua decepção quando o pequeno John não escolhe a bússola. Tudo se encaixa. E alguém mais pensou na possibilidade de que Richard não seja eternamente jovem, mas sim um cara que vive viajando através do tempo entre 1954 e 2004? Mesmo que Juliet o tenha classificado como “muito velho”, isso é possível, não é? Afinal, em Lost tudo é possível. Assim como acredito ser possível que Daniel Faraday tenha sido capturado por sua mãe. A moça loira com dicção esquisita é chamada em determinado momento como Ellie. Além do olhar fixo e familiar do físico para ela, não podemos esquecer que a misteriosa senhora com quem Ben se encontrou no último episódio se chama Eloise Hawkings. Aliás, não podemos esquecer que a física está em Los Angeles, cidade para a qual Widmore manda Desmond procurar a mãe de Faraday. Não tenho a menor dúvida de que se trata da mesma pessoa, vocês têm?

E, falando em Widmore, o personagem foi responsável pela cena mais bombástica deste “Jughead”, quando descobrimos que o pai de Penny era sim um dos Outros no passado, e deve ter sido obrigado a sair de lá, assim como Ben foi ao mover a ilha. Mas qual a importância da bomba que dá nome ao episódio? E qual era a relevância de Charlotte na trama mesmo? Era para ser mais uma mulher próxima ao Faraday que morre (ou passa mal, enfim, ainda não sabemos se a moça passou dessa para uma melhor mesmo) devido às viagens no tempo? Será que a ruiva morre e nós ficaremos sem saber se ela realmente foi parte da Dharma na infância? Não importa. O que importa é que a série está em um crescente, e dessa vez nos ofereceu respostas interessantes, que ajudam a montar o quebra-cabeça que tanto nos atormenta. A solução encontrada pelos roteiristas para explicar algumas coisas foi genial, assim como a possibilidade de usar um clarão qualquer para resolver qualquer situação que aparentemente não tenha saída.

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Comentários

13 Comentários em “Lost: muitas respostas em “Jughead””
  1. Leco disse:

    Excelente comentário!!

    Aliás, me junto a vc sobre Ellie ser mão de Faraday. É esse o “algo familiar” que vê na loira.

    E é incrível mesmo como os produtores nos surpreendem e conseguem sair de situações que parecem grandes emboscadas…

    Faltando 31 episódios pro fim, o caminho está trilhado para algo sensacional…

    Bjo, Gi…

  2. Thiago disse:

    Episódio sensacional … tenho que concordar…

    Essas viagens no tempo estão perfeito… tá sendo uma aula para a galera de heroes.

    Da uma força ai e publica meu comentário com o link do meu blog que tbm tem comentários de lost.

    blog raio -x
    http://raio-xrj.blogspot.com/

    abraço

  3. Pedro Araujo disse:

    Assisti os 3 episódios de uma vez e sabe o que dá pra dizer? Que a série é simplesmente fantástica! E tem um ponto do seu comentário que resume muito bem isso, Gi: “a equipe da criação da série dá uma aula de como lidar com viagens temporais em um roteiro televisivo sem partir para o clichê e, principalmente, sem deixar furos.”
    Realmente, é lindo de ver como as coisas se encaixam perfeitamente, o que confirma que os “prodautores” sempre tiveram sim a série nas mãos, ao contário do que diziam os chatos de plantão.
    Quanto ao começo da série mesmo, fiquei feliz pacas de saber que muito do que eu arrisquei que aconteceria na série nessa temporada, está acontecendo, especialmente na revelação de que Widmore um dia viveu na ilha, que eu já tinha cantado na temporada passada e nas entrevistas que dei.
    Ótimo comentário. Não foi o primeiro, mas foi sim um dos melhores, ao contrário de gente que deixa comentário pronto baseado nos spoilers, pra depois publicar 5 minutos depois do fim do episódio.

  4. DeChamps disse:

    SENSACIONAL…!

    Gostei muito do episódio… e gisele logo nesse episódio aconteceu o que vc havia me respondido ontem… Ms. Hawkings deve realmente ser mãe de faradat…

    Excelente comments…

    Abraços!

  5. Netiteve disse:

    Infelizmente esse episódio não consegue esconder que se trata de pura enrolação.

    Na verdade, o maior dos pecados é ser um episódio de Desmond no qual ele não faz nada de útil pra si. O personagem não ganha conteúdo nenhum e tudo o que ele faz só diz respeito ao Daniel, o verdadeiro protagonista. Acho que foi por isso que deram a luz ao Charlie, para o escocês ter algum sentindo aqui.

    O encontro de Locke com Alpert também não foi bom. Foi um desencontro, e que já sabíamos que seria assim, pois o Alperto do futuro já tinha descrito a cena toda. E ele descobriu como sair da ilha? Não, por causa do pulo no tempo.

    O pulo no tempo também atrapalhou o Daniel no conserto da bomba. A bomba em si é uma novidade mas a solução fácil de empurrar o problema para outro episódio não soa bem.

    Felizmente o Widmore deu alguns bons motivos para valorizar Jughead.

  6. tiago disse:

    meu deus, todo mundo achando esse episodio genial e tal, achei pura enrolação, tedioso e chato

    adoro lost, não sou burro, entendo TUDO oq se passa, mas esse episodio não desceu pra mim….

  7. Caio Costa disse:

    Gi, mas uma teoria q deixarei aqui: pra mim, Widmore tem tanta raiva do Ben justamente pq ele era um candidato potencial a ser o próximo lpider dos Outros. Aí, qdo ele viu um certo jovem de óculos conseguir realizar a expurgação e tomar a sua vaga, vem aquela declaração de q “vc tirou tudo de mim”.

  8. Luana disse:

    Adorei o episódio, fantástico e bem sutil.
    Agora….Quantos eps terá essa temporada?

    PS: Gisele, adooooro seus comentários.

  9. Gisele Ramos disse:

    Luana, a quinta e sexta temporada terão 16 episódios cada.

    Que bom que você gosta dos comentários! Fico feliz, mesmo!

    Abraço

  10. DeChamps disse:

    Gi não seriam 17 episodios? devido a paralisação dos roteiristas ano passado e tal???

  11. Gisele Ramos disse:

    Hmmmm, querido, agora tu me pegou! Vou confirmar e depois te digo direitinho!

    Beijo

  12. Netiteve disse:

    Pelo que me lembro dos produtores comentando serão 17.

    Quando por causa da greve a temporada passada perdeu 3 episódios um deles acabou sendo feito para compor o episódio duplo final. E os restantes foram passados para as temporadas seguintes, ou seja, um a mais para essa quinta e um a mais para a sexta.

  13. Quezia Cruz disse:

    Eu gostei demais do episódio, to adorando o farady a cada dia e não lembrava desse detalhe da bússula. Essa do Widmore ter trabalhado na ilha me surpreendeu. E o filho do Des, que coisa mais fofa gente. ;D